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domingo, 30 de setembro de 2012

Óbitos no Soito entre 1825 e 1849



Conforme mapa acima, neste período registaram-se 685 óbitos, dos quais 399 eram de “inocentes” o que equivale a uma percentagem média de 58.2%. Com 80 anos, ou mais, apenas se verificaram 21 o que representa uns insignificantes 0.03 %.


O ano que houve mais “anjos” foi 1847, com 18 de um total de 22 representando 81.8%.

Em 1836 houve 11 óbitos todos de pessoas de maior idade.

Como o Cemitério só começou a ser usado no dia 5 de fevereiro de 1838, os funerais eram feitos, maioritáriamente na Capela da Misericórdia e na Igreja Matriz, porém muitos mortos foram sepultados nas Capelas especialmente na de Santa Bárbara: 25 entre os dias 25 de Julho de 1827 a 15 de Março de 1835.
Na de Santo Amaro: 33, entre os dias 19 de Agosto de 1831 até 7 de Junho de 1832.
Na do Espirito Santo: 10, entre os dias 29 de Janeiro a 29 de Abril de 1835.

Nestes 25 anos apenas 21 pessoas atingiram ou ultrapassaram a barreira dos 80 anos e foram os seguintes:

11-4-1825, com 80: Manuel Gonçalves casado com Isabel Garcia.

2-9-1825, com 80: Maria Carvalha, viúva de Francisco Garcia.

1-10-1827, com 80: Domingos Gonçalves de Matos, viúvo de Isabel da Costa.

10-8-1828, com 87: Manuel Netto, viúvo de Ana Nunes.

20-9-1829, com 89: Domingos Gonçalves Lucas, viúvo de Ana Gonçalves.

2-10-1829, com 88: Joaquina Nunes, viúva de João Garcia.

30-10-1829, com 89: José Gonçalves Ambrósio, viúvo de Isabel Martins da Josefa.

3-11-1829, com 89: Domingos Nunes, viúvo de Catarina Garcia.

22-2-1830, com 80: Isabel Garcia, viúva de Manuel Gonçalves Lucas.

18-4-1833, com 80: Manuel Gonçalves Martelo, viúvo de Paula Martins.

16-7-1833, com 81: Maria Lourenço, viúva de Manuel Dias.

19-8-1834, com 90: Ana André.

12-5-1836, com 80: Manuel Nunes de Marcos.

17-8-1836, com 88: Maria do Estevão, viúva de Gabriel Nunes.

16-10-1836, com 90: Ana da Luzia, viúva.

15-4-1837, com 80: Maria do Carvalho, casada que foi com José Marques.

16-8-1837, com 90: Modesto Nunes, casado com Maria Dias.

25-10-1842, com 82: Maria Dias, viúva de Modesto Nunes Robalo.

6-2-1846, com 80: José Bernardo Logrado, viúvo.

3-6-1848, com 83: José Carrilho, casado com Ana Manso.

6-6-1848, com 80: Manuel Gonçalves Antão, casado com Isabel Lopes.

Ticarlos

domingo, 23 de setembro de 2012

SOITO EM 1869/79




Neste espaço de tempo, a média geral de anos de vida, cifrou-se em 17.7 anos. Foram realizados 641 óbitos, 456 dos quais ocorreram antes dos 8 anos (71.1%) e… apenas 10 pessoas (1.56 %) chegaram ou ultrapassaram os 80 anos e foram os seguintes:


8 de Novembro de 1869: Com 83 anos: Sebastião de Oliveira, viúvo de Joaquina Nunes, da casa nº. 48.

18 de Novembro de 1869: Com 85 anos: Maria Nunes, viúva de José Nunes de Marcos, da casa nº. 389.

5 de Dezembro de 1869: Com 93 anos, Paulo Fernandes Farinha, da casa nº. 20.

19 de Março de 1870: Com 86 anos, José Carvalho, viúvo de Maria Gonçalves, da casa nº. 132.

12 de Julho de 187º: Com 87 anos, Manuel Gonçalves Garrido, viúvo de Maria Martins, da casa nº. 307.

5 de Novembro de1870: Com 85 anos, Manuel Luís, viúvo de Maria Dias, da casa nº. 225.

30 de Junho de 1877: Com 85 anos: Ana João, viúva de José Gonçalves Ambrósio, da casa nº. 300 na Rua do Poço.

25 de Novembro de 1878: Com 93 anos, Maria Fernandes Sancho, viúva de Manuel João.

20 de Agosto de 1879: Com 85 anos, Manuel Moreiro, viúvo de Maria Sagaz.

23 de Outubro de 1879: Com 80 anos, Ana Nunes, viúva de Manuel Martins Nicolau.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Batismos no Soito em 1700




Baptismos no Soito e em alguns povos vizinhos em 1700

Tendo em atenção o número de batismos realizados em 1700 nos povos acima,

é fácil deduzir em erro as informações do Padre Carvalho e o Soito nunca poderia estar

reduzido a 36 fogos nessa altura, para passados 50 anos ver esse número multiplicar por seis

Nem 36 fogos eram capazes de gerar 31 batismos.

De entre estes oito povos apenas Vilar Maior teve mais batismos e é difícil compreender como

Quadrazais com seis vezes mais fogos atribuídos, tenha igual numero de baptismos.

Estes números podem ser confirmados no A.D.G.



Os dados seguintes de 1758 foram extraídos das Memórias Paroquiais “online” que a TT faculta aos utilizadores interessados:

Soito; Pelo Padre Hipólito Tavares; 226 vizinhos, pessoas maiores e menores 720. (Em 1527 tinha 160 moradores)

Alfaiates: Pelo Padre António Carvalho Baptista: 150 Vizinhos, 337 pessoas de sacramento e setenta menores. (Em 1527 tinha 131)

Aldeia da Ponte; pelo mesmo Padre: 167 moradores, 484 pessoas. (Em 1527 tinha 120)

Aldeia Velha: pelo Padre Luís da Fonseca Frias: 72 Fogos, 170 pessoas maiores de comunhão e menores de confissão 53. (Em 1527 tinha 55 moradores.)

Quadrazais; O Padre Paulo Correia: 190 vizinhos, 408 pessoas maiores e menores 121. (Em 1527 tinha 134 moradores.)

Vilar Maior: O Padre Francisco Antunes: 175 moradores, Pessoas de sacramento 456, menores 55. (Em 1527, “demtro na Villa vivem 60”)

Rendo: Pelo Padre Domingos Fonseca: 188 fogos, Pessoas maiores 450, menores 98. (Em 1527 tinha 28).

Ruivós: O Padre Joseph Gaspar: 50 vizinhos, 150 pessoas. (Em 1527 tinha 28 moradores)



Os baptizados em 1700 no Soito

3 de Janeiro: João, filho de João Martins e Ana Lourenço

17, Catharina… de Domingos Martins da Fonseca e Maria Pires

14 de Fevereiro: Catharina… de Domingos Jorge e Maria João

22, Roza… de Afonso Gonçalves, natural da Covilham e Catharina João

28, Domingos… de António Jorge e Catharina (?)

3 de Março: Isabel… de Francisco Garcia de Aldeia da Ponte e Catharina Fernandes

13: Anna… de Paulo Antunes e Ana Martins, de Pousafoles

18 de Abril: Anna… de António Martins e Maria Martins

25: Domingos… de Domingos Martins, de Vila Boa e P. Gonçalves

20 de Maio; Maria… de Manuel Pereira, da vila da Covilham e de Maria Mendes

22; João… de Manuel Nunes, da vila do Sabugal e de Maria Antunes

22; Maria… de João Marques, de Paços (Bispado de Coimbra) e Catharina Martins

29; Anna… Domingos Vaz, barbeiro e Maria Gomes

30; Catharina… de António Nunes e Catarina Martins

12 de Junho: Manuel… de Domingos Martins de Barbosa e Isabel Gomes, da Lomba (Bispado da Guarda)

25 de Julho; Guiomar… de Domingos Lopes e Guiomar Nunes

12 de Agosto; Catharina… de António Nabais e de Maria Martins

19; Maria… de Marcos Pires e Maria Pires

22; Catharina… de António Jorge e Magdanella Fernandes, de Águas Belas

22; Anna… de António Vaz o moço e M.Lopes

1 de Setembro; Manuel… de Domingos de Carvalho e Isabel Nabais

16; Maria… de Domingos João e Maria Dias, de Casas do Ozendo.

22; Catharina… de João Francisco e Maria Carvalha

13 de Outubro; Francisco… de Manuel Fernandes o moço e Maria Pereira

20 de Outubro; Catharina… de Francisco Lopes e Maria Martins

29 de Outubro; João… de Manuel Lopes e Domingas Segura de Vila Boa

11 de Novembro; Maria… de Afonso Fernandes, de Vila Boa e Maria Martins

11; Anna… de Francisco Lopes e Maria M.iz

11; Domingos… de António Martins e Maria Martins

18; Francisco… de Manuel Carvalho e Maria Gonçalves

18 de Dezembro; Catharina… de Bartolomeu Francisco, de Manteigas e Maria Pires

ticarlos@sapo.pt



segunda-feira, 16 de julho de 2012

CASAMENTOS NO SOITO 1623/1632 e 1640/1649

Casamentos no Soito




Durante os dez anos que medeiam entre 1623 e 1632 e ainda segundo os Curas António da Fonseca, Gabriel Simões, Joseph Mendes, Thomé João e António Monteiro Davide, que assinaram os respectivos assentos, houve no Soito 65 casamentos. Na década de 1640 a 1649 esse número desceu cerca de 50% cifrando-se em 43 e segundo os Curas Simão da Costa e Manuel da Fonseca. A razão para queda tão brusca deve-se, segundo o meu ponto de vista, á guerra da Restauração que após 1640 se prolongou, nesta região, por mais de vinte anos tendo certamente morrido em luta com os Espanhois muitos dos Soitenses mais jovens. Este o quadro dos casamentos realizados.



1623 11            1640   7

1624   5            1641   2

1625  11           1642   2

1626   6           1643    5

1627   5           1644    5

1628   5           1645    3

1629   8           1646    3

1630   4           1647    3

1631   6           1648  12

1632   4           1649    1

          65                    43



De salientar o seguinte assento que transcrevo: Em os dezasseis dias do mês de Janeiro de mil seiscentos e quarenta e cinco anos recebi em face da Igreja a António Afonso viúvo natural de Quadrazais com Maria Gonçalves deste lugar estando presentes os juízes do povo Francisco Miguel, Domingos Lourenço e Francisco Alves e outros homens do povo. E por ser verdade me assinei aqui. O Padre Manuel da Fonseca.

Este assento prova a independência do Soito como povo, que tinha os seus próprios juízes.
Ticarlos

domingo, 18 de março de 2012

O Soito e a 3ª.Invasão Francesa

O Soito e a terceira Invasão Francesa




A história evoca e elogia os feitos de poucos, esquecendo o sacrifício de tantos.



Nenhum historiador, que se tenha conhecimento, alguma vez se deu ao trabalho de saber e dar a saber o que fizeram as tropas invasoras nos povos por onde passaram.

Não foi só a tomada de Almeida, a guerra do Buçaco, o combate do Gravato, ou outros acontecimentos referenciados nos livros, quem fez a história, muitos outros povos situados no caminho escolhido pelas tropas de Napoleão, fizeram história e sofreram a crueldade dos soldados invasores, no entanto o seu sacrifício permanece ignorado, ainda que vivo e presente em alguns arquivos empoeirados.

No nosso concelho, o facto mais relevante, para aqueles que escreveram a história, foi o combate do Gravato ocorrido no dia 3 de Abril de 1811, mas o que se passou não se resume apenas a este e aos outros episódios.

Os Franceses, após tomarem Almeida no dia 28 de Agosto de 1810, estavam no Soito no dia 30 vindos pela estrada dita militar, “uma das duas que ligava Alfaiates ao Sabugal”, e estiveram acampados no Forte, obrigando os habitantes, desarmados, a permanecer isolados em suas casas, que saqueavam para matar a fome ou roubar tudo o que podiam.

O período em que estes actos tiveram lugar (30 de Agosto de 1810 até 8 de Abril de 1811) foi um dos mais dramáticos da história do Soito e hoje, não somos sequer capazes de avaliar o sofrimento e a humilhação a que os seus habitantes foram sujeitos.

Esse dia 30 de Agosto, já lá vão mais de dois séculos, terá ficado marcado na memória do povo durante bastante tempo, e, embora hoje já ninguém tenha a mínima ideia do que aconteceu, a verdade é que os Franceses deixaram aqui uma nefasta lembrança já que os sentimentos de medo eram tais, que o povo não se atreveu sequer a enterrar os mortos que eles provocaram entre os cidadãos, inocentes e desprevenidos, que se encontravam a trabalhar no campo, pois como diz o Padre Alexandre Vaz, pároco do Soito, “ as pessoas tinham medo pois o povo estava cheio de inimigos”.

Nesse fatídico dia, foram mortos seis habitantes entre os 18 e os 40 anos, todos a trabalhar no campo, pois nenhum era soldado.

Alem de um casal: Domingos Gonçalves Luís e sua mulher Maria Martins de 30 anos, “mortos pelo mesmo tiro”, foram também mortos Manuel Nunes de 40 anos, Miguel, solteiro de 18, filho de Manuel Vaz e Maria Ramos, Domingos de 18 filho de Domingos Fernandes e Luísa Gonçalves e ainda Domingos Lourenço casado com Maria Robalo, este mais tarde encontrado morto e registado o óbito no dia 31 de Outubro.

Estes seis corpos não tiveram direito a sepultura em local apropriado, pois devido à impossibilidade de movimentação das pessoas que eram obrigadas a obedecer aos invasores, foram enterrados no próprio local da morte ou simplesmente abandonados às feras então existentes, como foi o caso de Domingos Lourenço do qual foram encontrados apenas “restos”

Foram ainda mortos pelos soldados Franceses, de susto, conforme registo paroquial, em 25 e 26 de Novembro; Manuel de Oliveira de 65 anos, viúvo de Ana Robalo e Fabiana Gonçalves de 50 anos.

Mas as vitimas continuaram, e no dia 30 de Janeiro de 1811 foi morto António Garcia de 46 anos, viúvo de Maria Nunes.

No dia 26 de Março tiveram igual sorte Francisco Carvalho, de 60 anos, casado com Maria Martins.

Domingos Martins, de 45, viúvo de Maria Jorge.
Ana Barrocas, de 40 anos, viúva de António Saraiva e José da Luísa, de 36, que foi enforcado.

No dia 4 de Abril, portanto logo a seguir ao célebre combate do Gravato, foi morto Domingos Jorge, viúvo de Ana Gaiona e no dia 5 Manuel Carvalho, de 40 anos, casado com Luísa Esteves,

Manuel Robalo de 45 anos, casado com Antónia Garcia e João Rodrigues também de 45 anos, viúvo de Maria Nunes.

No dia 8 de Abril mataram ainda José Lourenço, casado com Luísa Jorge, o que eleva para 17 o número de vítimas oficialmente registadas. Estas mortes significam que parte dos soldados de Napoleão, talvez dispersos do grosso da coluna, se aproveitavam da fraqueza do povo e exerciam sobre ele todo o tipo de violência sem controlo.

Alguns habitantes fugiram para povos vizinhos, nomeadamente para Vale de Espinho onde três vieram a morrer nesse mesmo ano de 1811 sendo sepultados na Matriz daquela freguesia.

No ano de 1810 foram registados 93 óbitos, porém, 75 ocorreram após o dia 30 de Agosto o que não deixa de ser elucidativo quanto à eventual causa.

No ano de 1811 registaram-se 100, 76 dos quais tiveram lugar até ao dia 30 de Julho

Estes números contrastam de modo bastante acentuado com os havidos nos anos mais próximos 1809 (29) e 1812 (29)

Certamente que não foi por acaso, que durante o tempo que medeia entre 30 de Agosto de 1810 e 30 de Julho de 1811 ocorreram nesta freguesia 151 óbitos, (75 de 30 de Agosto até 31 de Dez de 1810 e 76 desde 1 de Janeiro a 30 de Julho de 1811) um dos números mais altos da história do Soito.

A maioria dos corpos foram sepultados na Matriz, cerca de meia centena na Capela da Misericórdia, 19 na Capela do Espírito Santo e um na capela de São Modesto (a antiga, onde hoje se situa o Chafariz da Praça)

Sabemos que em 1858 se verificaram 156 óbitos, a maioria devido a uma epidemia de “bexigas”, mas no espaço de tempo em questão, sabemos que para além das “bexigas” o povo foi atingido por outras duas doenças que o pároco registou como “maligna”e malária e que surgiram após a passagem do exército Francês, o que pode ter sido, directa ou indirectamente, a causa provável de um tão elevado número de mortes.

Também não é de excluir a hipótese de, praticamente em fim de ceifas, ter sido causado, pelos Franceses algum tipo de destruição ou até confiscação das colheitas, o que se veio a reflectir na escassez dos produtos alimentares recolhidos, provocando carências de toda a ordem e consequentemente a fome.

Alguns autores, como por exemplo Nicole Gotteri no seu livro Napoleão e Portugal, impresso em 2006, afirmam que “a maioria das obras de arte sacra em ouro ou prata existentes nas igrejas por onde passou o invasor foram pilhadas e o espólio derretido para cunhar moeda”, assim se perdendo uma boa parte da história desses povos no qual o Soito se deve incluir.

Mas não foi só o Soito que sofreu as consequências da “invasão dos inimigos”, Alfaiates, embora com registos incompletos, também conta pelo menos 11 mortos segundo registos do padre José Fernandes Sanches que também refere dezenas de mortos para cuja causa aponta a “peste.”

Aldeia da Ponte certamente não escaparia à triste experiência, porém, por inexistência documental entre 1703 e 1851 nunca saberemos a verdade o que é igualmente válido para o Sabugal (Santa Maria do Castelo e São João) de cujas freguesias também não existe ou não encontrei a documentação referente ao período em questão.

Ti Carlos

Batizados no Soito entre 1675 e 1704





Baptizados realizados no Soito entre 1675 e 1704 e que apenas podem pecar por defeito, já que faltam algumas páginas.


Em 30 anos realizaram-se 770 baptizados o que corresponde a cerca de 26 por ano, nascimentos que
os 36 moradores que o Padre Carvalho atribui ao Soito eram incapazes de gerar, logo, há erro histórico nos dados que foram sucessivamente copiados pelos historiadores que se seguiram.

Todos os lugares do concelho, à excepção de Quadrazais, a que o Padre Carvalho em principios do século XVIII atribui população superior à do Soito, tiveram neste período um número bastante inferior de baptizados o que é bastante esclarecedor.
Ticarlos

Cruzeiro da Teixugueiras

O Cruzeiro das “Teixugueiras”


Situa-se junto à estrada do Ozendo a cerca de 300 metros da Rotunda de São Cristóvão.

Diz a tradição oral que este cruzeiro faz lembrar a morte de um homem que roubava mel das colmeias existentes ao redor do local onde se situa.

Segundo testemunhos, que podem já ter sido adulterados, logo, diferentes da realidade de então, constava que o mel desaparecia das colmeias e que os proprietários se postaram de guarda, numa noite, esperando que o suposto ladrão aparecesse. Não se sabe se o homem aqui assassinado era o verdadeiro ladrão, se era o proprietário, ou um simples viajante que passava no local errado.

O registo de óbito nº 26 do dia 1 de Julho de 1903 diz que “foi encontrado morto, pelas quatro horas da manhã, presumindo-se que assassinado, no sítio das “Teixugueiras” um individuo do sexo masculino por nome José Augusto Pereira, solteiro, ferrador, de 28 anos de idade. filho de José Pereira Ferrador e de Joaquina Martins Antão, proprietária, naturais da freguesia do Souto.”

Foi sepultado no cemitério público do Sabugal!

O vigário Manuel Nunes Garcia.

Tendo em conta a profissão, dele e do pai, ambos ferradores e a qualidade da mãe: proprietária, não é muito credível a história, no entanto a verdade nunca se saberá, apenas resta este cruzeiro a lembrar a intolerância e a barbárie de há pouco mais de um século atrás e que até aos nossos dias deveriam ter evoluído mais no sentido positivo e humanista numa sociedade que se diz civilizada mas que ainda tem um longo caminho a percorrer.

Ticarlos