A Cristalina
Esta fábrica foi uma das que mais contribuiu para o desenvolvimento do Soito e até do concelho, nas décadas de 60 a 90 do século XX.
Fundada por Manuel de Oliveira Russo em 26 de Setembro de 1946 só em 25 de Julho de 1957 e por exigências legais, recebe o alvará 46.981.
A gasosa, que foi o produto inicial, era então transportada numa carroça puxada por uma mula, só mais tarde apareceram os veículos motorizados.
Em meados de 1963 começou a laborar uma máquina automática de enchimento de garrafas com uma capacidade diária de 24.000 garrafas.
Em Março de 1964 foi pedido o averbamento do dito Alvará à firma Refrigerantes Cristalina o que foi autorizado em 2 de Junho segundo o oficio de 9 de Julho de 1964 por incorporação da quota do fundador na firma recém-criada, (a firma Refrigerantes Cristalina Lda.)
O projecto de ampliação do edifício principal destinado a laboratório, máquinas de lavar e enchimento foi entregue em 10 de Maio de 1967 obtendo parecer positivo em 23 de Outubro.
Em 10 de Dezembro desse ano ficam instaladas novas e modernas máquinas de lavar e enchimento que haviam sido compradas em Julho por mais de 2.000.000$00, foram benzidas pelo Sr. Bispo da Guarda D. Policarpo da Costa Vaz.
Em 30 de Março de 1968 entra na Direcção Geral dos Serviços Industriais o pedido de instalação de uma unidade de fabrico de sumos naturais que foi autorizado conforme publicação do Boletim daquela Direcção em 17 de Abril do mesmo ano.
Mais um projecto de ampliação das instalações deu entrada na DGSI em 7 de Março de 1969.
No dia 15 de Agosto de 1971 é celebrada uma Missa nas suas instalações e em 26 de Setembro organiza um almoço de confraternização para comemorar 25 anos e onde para além dos funcionários estiveram alguns convidados ilustres, entre eles o Sr. Governador Civil Dr. Mário Bento Martins Soares, o Sr. Presidente da Câmara do Sabugal, o Eng. Engrácia Carrilho, etc.
A nova linha de enchimento cujo projecto foi aprovado pela Direcção dos Serviços Industriais tinha uma capacidade de enchimento de 60.000.000 de garrafas ano.
O pedido para a fabricação de gelados foi feito pela Cristalina à Direcção Geral dos Serviços Industriais em 16 de Outubro de 1972, porém a fábrica viria a ser instalada na cidade da Guarda.
Para se fazer uma ideia do movimento desta fábrica basta dizer que em 1976 consumiu 154 toneladas de fuel, 143.000 litros de gasóleo e 365.000 KW de energia eléctrica.
Utilizou 404.000 quilos de açúcar, 156.298 litros de sumos naturais, 1.035 de óleos de essências, 59.100 de anidrido carbónico e 8.600 quilos de ácido cítrico entre outros produtos.
Em 1977, 1978 e 1979 dava emprego direto a 74 trabalhadores.
Em 1984, de Janeiro a Setembro vendeu 328.977 grades ou embalagens de produtos no valor de 126.597.474$00 e produzia então uma variedade de 64 tipos de artigos diferentes desde a tradicional gasosa caseira até à cidra passando pelas compotas, frutas em calda, pimentos, triple seco, ponche, anis, aguardentes etc.
Em finais de 1985 os sócios desta empresa venderam a maioria da participação que detinham a um investidor estranho, foi o princípio do fim apesar de os produtos por ela fabricados terem uma boa aceitação no mercado e serem considerados dos melhores do país.
Em 1988 o volume de vendas ultrapassou os 315.000.000$00
Em 1993 e com milhares de grades de sumos e refrigerantes em armazém no valor de milhares de contos, (que acabaram por se deteriorar) fechou as portas deixando dezenas de trabalhadores no desemprego.
Os trabalhadores desta Empresa receberam a carta de despedimento em Dezembro de 1993 o que seria confirmado por outra carta de 9 de Fevereiro de 1994.
Em 2004 tiveram inicio, nestas antigas instalações, obras de adaptação a um pólo empresarial que hoje, em atividade, representa, em valores relativos, menos de 1/20 do movimento da anterior Cristalina!
Ticarlos
Não pretendo escrever a história do Soito, mas tão só dar a conhecer factos ignorados do seu passado e, transmitir a verdade que os arquivos empoeirados do tempo me emprestaram.
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domingo, 18 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
90 anos de G.N.R. no Soito
90 anos de G.N.R. no Soito
A Guarda Real de Policia, que deu lugar à extinção dos Quadrilheiros, foi criada por Decreto de 10 de Dezembro de 1801 e foi o Intendente Pina Manique quem mais se esforçou para que Lisboa tivesse uma polícia séria para defesa dos seus habitantes. Durou apenas 33 anos, já que em 3 de Julho de 1834 é substituída pela Guarda Municipal de Lisboa, tendo a do Porto sido criada no mês de Agosto do mesmo ano.
É neste mesmo ano, a 27 de Setembro, que são alistados na Guarda, 11 elementos do Soito: Luís Carrilho, Manuel Nunes Dias, Bernardo Garcia, Hilário Nunes, Manuel Pereira Ferrador, António Garcia, Alexandre Robalo, Manuel Carvalho (o moço), Joaquim Fernandes, Modesto Fernandes e Manuel Dias Antão.
Só em 24 de Dezembro de 1868 os dois corpos são unificados com um comando único no Quartel do Carmo em Lisboa.
Esta força passa a denominar-se Guarda Republicana por Decreto de 12 de Outubro de 1910, logo transformada em Guarda Nacional Republicana por Decreto de 3 de Maio de 1911 e que se mantém ainda hoje.
A GNR só chega à Guarda em 1914.
Em 9 de Novembro de 1912 é pedida a GNR para o Sabugal, propondo-se a Câmara a “satisfazer todos os encargos que advenham da permanência desta força no concelho” mas só em 28 de Agosto de 1914 “são postas à disposição do Comando Geral várias casas à escolha da Corporação para serem inspecionadas afim de ali ser instalada a referida força”. Em 1915 o Sabugal já tinha a GNR instalada.
Embora o posto da GNR do Soito só fosse criado em 1922, já antes aqui havia “guardas da Policia Civil”, conforme se lê nas contas da Câmara de 24 de Abril de 1907: “despesa paga a José Clemente Henriques no valor de 4.370 reis, importância de carvão e luzes para os guardas da Policia Civil destacados no Soito”.
A G.N.R. esteve instalada numa antiga escola, pertença da Junta de Freguesia e que veio a beneficiar de obras em 1923. Em 21 de Junho de 1936 é arrendado por 800$00 anuais (a cargo da Câmara) um edifício a João Batista Carrilho para servir de Posto da Guarda, local em que se manteve até 1985 e que deu nome à Rua: (Rua do Posto)
Sabemos que, por ata da sessão da Câmara de 21 de Fevereiro de 1942, esta Câmara (do Sabugal) pediu “a criação de uma força da GNR a cavalo para o Soito e Aldeia da Ponte propondo-se a custear as despesas e que se destinava a combater a candonga”. Desconhecemos se esta força alguma vez foi criada.
Em 10 de Março de 1980 a Junta de Freguesia informa a Câmara da cedência de um terreno para a construção do Quartel da Guarda, obra que foi adjudicada por 6.424.370$00 sob escritura de 2 de Julho de 1982 e mais 1.073.597$00 referente à instalação elétrica, não constante no projeto inicial e de acordo com ata de 5 de Abril de 1983. A obra é dada por concluída e aceite provisoriamente pela Câmara em 24 de Outubro de 1984.
Em 19 de Novembro de 1986 a Câmara aceita definitivamente a obra e a sua cedência à Corporação é aprovada em 26 de Novembro do mesmo ano.
São 90 anos consecutivos de história, o que contrasta com o que aconteceu a alguns postos de povos da região, que foram criados e extintos: Alfaiates, Vilar Maior, Pega, Nave de Haver e Quadrazais entre outros.
Ticarlos
A Guarda Real de Policia, que deu lugar à extinção dos Quadrilheiros, foi criada por Decreto de 10 de Dezembro de 1801 e foi o Intendente Pina Manique quem mais se esforçou para que Lisboa tivesse uma polícia séria para defesa dos seus habitantes. Durou apenas 33 anos, já que em 3 de Julho de 1834 é substituída pela Guarda Municipal de Lisboa, tendo a do Porto sido criada no mês de Agosto do mesmo ano.
É neste mesmo ano, a 27 de Setembro, que são alistados na Guarda, 11 elementos do Soito: Luís Carrilho, Manuel Nunes Dias, Bernardo Garcia, Hilário Nunes, Manuel Pereira Ferrador, António Garcia, Alexandre Robalo, Manuel Carvalho (o moço), Joaquim Fernandes, Modesto Fernandes e Manuel Dias Antão.
Só em 24 de Dezembro de 1868 os dois corpos são unificados com um comando único no Quartel do Carmo em Lisboa.
Esta força passa a denominar-se Guarda Republicana por Decreto de 12 de Outubro de 1910, logo transformada em Guarda Nacional Republicana por Decreto de 3 de Maio de 1911 e que se mantém ainda hoje.
A GNR só chega à Guarda em 1914.
Em 9 de Novembro de 1912 é pedida a GNR para o Sabugal, propondo-se a Câmara a “satisfazer todos os encargos que advenham da permanência desta força no concelho” mas só em 28 de Agosto de 1914 “são postas à disposição do Comando Geral várias casas à escolha da Corporação para serem inspecionadas afim de ali ser instalada a referida força”. Em 1915 o Sabugal já tinha a GNR instalada.
Embora o posto da GNR do Soito só fosse criado em 1922, já antes aqui havia “guardas da Policia Civil”, conforme se lê nas contas da Câmara de 24 de Abril de 1907: “despesa paga a José Clemente Henriques no valor de 4.370 reis, importância de carvão e luzes para os guardas da Policia Civil destacados no Soito”.
A G.N.R. esteve instalada numa antiga escola, pertença da Junta de Freguesia e que veio a beneficiar de obras em 1923. Em 21 de Junho de 1936 é arrendado por 800$00 anuais (a cargo da Câmara) um edifício a João Batista Carrilho para servir de Posto da Guarda, local em que se manteve até 1985 e que deu nome à Rua: (Rua do Posto)
Sabemos que, por ata da sessão da Câmara de 21 de Fevereiro de 1942, esta Câmara (do Sabugal) pediu “a criação de uma força da GNR a cavalo para o Soito e Aldeia da Ponte propondo-se a custear as despesas e que se destinava a combater a candonga”. Desconhecemos se esta força alguma vez foi criada.
Em 10 de Março de 1980 a Junta de Freguesia informa a Câmara da cedência de um terreno para a construção do Quartel da Guarda, obra que foi adjudicada por 6.424.370$00 sob escritura de 2 de Julho de 1982 e mais 1.073.597$00 referente à instalação elétrica, não constante no projeto inicial e de acordo com ata de 5 de Abril de 1983. A obra é dada por concluída e aceite provisoriamente pela Câmara em 24 de Outubro de 1984.
Em 19 de Novembro de 1986 a Câmara aceita definitivamente a obra e a sua cedência à Corporação é aprovada em 26 de Novembro do mesmo ano.
São 90 anos consecutivos de história, o que contrasta com o que aconteceu a alguns postos de povos da região, que foram criados e extintos: Alfaiates, Vilar Maior, Pega, Nave de Haver e Quadrazais entre outros.
Ticarlos
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O Contrabando
O contrabando
Quando a região de Riba Côa passou a fazer parte do território nacional em 1297 e como espiritualmente continuaram a pertencer ao Bispado de Ciudad Rodrigo, as suas gentes continuaram a usufruir de privilégios em relação à troca e à circulação de mercadorias entre o País e Castilha.
Quando mais tarde no começo do século XV a soberania se tornou plena, as trocas continuaram a ser feitas à margem das leis e ainda até há bem pouco tempo muitos dos produtos de primeira necessidade, desde pão, azeite, tecidos, ferramentas, frutas, louças e perfumes, ou outros, eram provenientes de Espanha, transportados a ombros e a pé por muitos para uso pessoal ou outros que viam nesta actividade a única forma de subsistência e que em lugar de ser considerada contrabando devia ter sido classificada como serviço público, já que o país vizinho era a única fonte e fornecedor desses bens a esta região.
Com as guerras (Peninsular, 1ª e 2ª Grandes Guerras) e devido às necessidades de um ou de outro lado o contrabando tomou proporções empresariais e eram várias as sociedades dedicadas a tal pratica,
Embora já antes se verificasse, foi por altura da segunda grande guerra, que a procura internacional de minério por parte dos beligerantes se tornou mais intensa e o país, porque neutro, não se queria envolver oficialmente no fornecimento a nenhuma das partes, logo, o negócio do contrabando florescia; primeiro a pé com o “carrego” 25 e às vezes 50 Kg. Às costas dezenas de Quilómetros, palmilhando veredas de cabras, os homens esgotavam as forças em trabalho tão hercúleo ou caiam vitimados pela balas da Guarda Fiscal ou da Guardia Civil. Depois vieram os cavalos e até aos anos oitenta eram às centenas transportando quase sempre de noite, os mais variados artigos, tabaco para lá, fazendas e máquinas para cá, para atender à procura existente por parte dos consumidores que preferiam esse tipo de mercadorias.
Actividade de alto risco, foram muitos os que nela perderam a vida; uns dominados pelo frio e incapazes de se segurar na montada aquando da travessia do Côa eram arrastados pelas águas geladas onde morriam afogados ou de hipotermia; aconteceu no dia 30 de Dezembro de 1962 a dois adolescentes: Hermenegildo Robalo Carrilho de 15 anos e Manuel Joaquim Nunes Fernandes de 16 que vinham já de regresso e sem carga. Os cavalos salvaram-se a nado e eles também se salvariam não fosse o frio que lhes enregelou as mãos e os tornou presa fácil das águas.
O dia 12 de Setembro de 1960 foi o último para dois jovens Soitenses; João Marcos Lavrador de 20 anos e José Russo de Carvalho de 30, assassinados pela Guarda-Fiscal nos Foios, que disparou indiscriminadamente, para o grupo de homens que tentavam fugir para salvar a “carga” que transportavam, sendo ambos atingidos mortalmente, o acontecimento ocorreu a Norte da povoação no caminho que leva ao Soito e ainda há poucos anos era recordado por dois cruzeiros.
Em de Agosto de 1954, José Augusto Jorge Ventura, um pai de família que costumava comercializar azeite que trazia de Espanha e que transportava dois odres dele em seu cavalo é mandado parar pela GNR do Soito a meio caminho entre o Robalbo e o entroncamento dos dois caminhos que segue para a Granja, mas ele, ciente de que caso o fizesse lhe seria apreendido, bem como o animal que o carregava, não obedece e dá esporas à montada no intento de fugir e salvar o sustento da família, (esposa e quatro filhos menores) porém os guardas alheios ao valor da vida, fizeram uso da força das armas que falaram mais alto e abateram cavalo e cavaleiro.
O povo confrontado com o sucedido e indignado faz uma tentativa de revolta, mas a guarda, sabedora das intenções dos cidadãos, requisita mais efectivos e monta um dispositivo de guerra com metralhadoras apontadas ao exterior desde as portas do posto, situado então onde hoje é a casa do Sr. José Russo na Rua do antigo posto da GNR. O funeral realizou-se com pesar incontido mas quanto á reacção do povo e perante tamanho aparato policial, quedou-se pelas palavras de desaprovação e revolta aquando da passagem do féretro a poucos metros do quartel.
Já depois da Revolução de Abril, exactamente de 22 para 23 de Março de 1977, numa noite calma que nada o fazia adivinhar, foi morto Juan Simon Rodriguez, um cidadão espanhol de Valverde del Fresno a escassos cem metros da rotunda de São Cristóvão quando o grupo de cavalos e cavaleiros em que seguia carregados com tabaco sofreu uma emboscada por parte de elementos da Guarda Fiscal do Sabugal que disparou sem saber a quem atingia. Para além desta morte foram mortos também vários cavalos cuja carne alguns populares aproveitaram para consumo próprio como acontecera já em outras ocasiões e em casos semelhantes.
Num país que oficialmente tinha abolido a pena de morte para crimes políticos em 5 de Julho de 1852 e para crimes civis em 1 de Julho de 1867, ela continuava a ser praticada pelas autoridades policiais sem decisão judicial e com o apoio implícito ou mesmo explícito dos seus superiores que algumas vezes sancionavam tal acto com uma promoção do assassino o que era bastante revelador da conta em que era tida a vida humana.
Quando a região de Riba Côa passou a fazer parte do território nacional em 1297 e como espiritualmente continuaram a pertencer ao Bispado de Ciudad Rodrigo, as suas gentes continuaram a usufruir de privilégios em relação à troca e à circulação de mercadorias entre o País e Castilha.
Quando mais tarde no começo do século XV a soberania se tornou plena, as trocas continuaram a ser feitas à margem das leis e ainda até há bem pouco tempo muitos dos produtos de primeira necessidade, desde pão, azeite, tecidos, ferramentas, frutas, louças e perfumes, ou outros, eram provenientes de Espanha, transportados a ombros e a pé por muitos para uso pessoal ou outros que viam nesta actividade a única forma de subsistência e que em lugar de ser considerada contrabando devia ter sido classificada como serviço público, já que o país vizinho era a única fonte e fornecedor desses bens a esta região.
Com as guerras (Peninsular, 1ª e 2ª Grandes Guerras) e devido às necessidades de um ou de outro lado o contrabando tomou proporções empresariais e eram várias as sociedades dedicadas a tal pratica,
Embora já antes se verificasse, foi por altura da segunda grande guerra, que a procura internacional de minério por parte dos beligerantes se tornou mais intensa e o país, porque neutro, não se queria envolver oficialmente no fornecimento a nenhuma das partes, logo, o negócio do contrabando florescia; primeiro a pé com o “carrego” 25 e às vezes 50 Kg. Às costas dezenas de Quilómetros, palmilhando veredas de cabras, os homens esgotavam as forças em trabalho tão hercúleo ou caiam vitimados pela balas da Guarda Fiscal ou da Guardia Civil. Depois vieram os cavalos e até aos anos oitenta eram às centenas transportando quase sempre de noite, os mais variados artigos, tabaco para lá, fazendas e máquinas para cá, para atender à procura existente por parte dos consumidores que preferiam esse tipo de mercadorias.
Actividade de alto risco, foram muitos os que nela perderam a vida; uns dominados pelo frio e incapazes de se segurar na montada aquando da travessia do Côa eram arrastados pelas águas geladas onde morriam afogados ou de hipotermia; aconteceu no dia 30 de Dezembro de 1962 a dois adolescentes: Hermenegildo Robalo Carrilho de 15 anos e Manuel Joaquim Nunes Fernandes de 16 que vinham já de regresso e sem carga. Os cavalos salvaram-se a nado e eles também se salvariam não fosse o frio que lhes enregelou as mãos e os tornou presa fácil das águas.
O dia 12 de Setembro de 1960 foi o último para dois jovens Soitenses; João Marcos Lavrador de 20 anos e José Russo de Carvalho de 30, assassinados pela Guarda-Fiscal nos Foios, que disparou indiscriminadamente, para o grupo de homens que tentavam fugir para salvar a “carga” que transportavam, sendo ambos atingidos mortalmente, o acontecimento ocorreu a Norte da povoação no caminho que leva ao Soito e ainda há poucos anos era recordado por dois cruzeiros.
Em de Agosto de 1954, José Augusto Jorge Ventura, um pai de família que costumava comercializar azeite que trazia de Espanha e que transportava dois odres dele em seu cavalo é mandado parar pela GNR do Soito a meio caminho entre o Robalbo e o entroncamento dos dois caminhos que segue para a Granja, mas ele, ciente de que caso o fizesse lhe seria apreendido, bem como o animal que o carregava, não obedece e dá esporas à montada no intento de fugir e salvar o sustento da família, (esposa e quatro filhos menores) porém os guardas alheios ao valor da vida, fizeram uso da força das armas que falaram mais alto e abateram cavalo e cavaleiro.
O povo confrontado com o sucedido e indignado faz uma tentativa de revolta, mas a guarda, sabedora das intenções dos cidadãos, requisita mais efectivos e monta um dispositivo de guerra com metralhadoras apontadas ao exterior desde as portas do posto, situado então onde hoje é a casa do Sr. José Russo na Rua do antigo posto da GNR. O funeral realizou-se com pesar incontido mas quanto á reacção do povo e perante tamanho aparato policial, quedou-se pelas palavras de desaprovação e revolta aquando da passagem do féretro a poucos metros do quartel.
Já depois da Revolução de Abril, exactamente de 22 para 23 de Março de 1977, numa noite calma que nada o fazia adivinhar, foi morto Juan Simon Rodriguez, um cidadão espanhol de Valverde del Fresno a escassos cem metros da rotunda de São Cristóvão quando o grupo de cavalos e cavaleiros em que seguia carregados com tabaco sofreu uma emboscada por parte de elementos da Guarda Fiscal do Sabugal que disparou sem saber a quem atingia. Para além desta morte foram mortos também vários cavalos cuja carne alguns populares aproveitaram para consumo próprio como acontecera já em outras ocasiões e em casos semelhantes.
Num país que oficialmente tinha abolido a pena de morte para crimes políticos em 5 de Julho de 1852 e para crimes civis em 1 de Julho de 1867, ela continuava a ser praticada pelas autoridades policiais sem decisão judicial e com o apoio implícito ou mesmo explícito dos seus superiores que algumas vezes sancionavam tal acto com uma promoção do assassino o que era bastante revelador da conta em que era tida a vida humana.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Em 1940: As maiores Freguesias
Sé (Guarda 5.806
Vila Nova de Foscôa 3.825
Seia 3.728
S.Vicente (Guarda) 3.538
Pinhel 3.168
Vide 3.164
Sabugal 3.050
Vila Nova de Tazem 2.851
Quadrazais (Sabugal) 2.580
S.Romão 2.526
Gouveia (S.Pedro) 2.498
Loriga 2.548
Soito (Sabugal) 2.439
Tourais 2.379
Meda 2.339
Escalhão 2.295
Manteigas (S.Pedro) 2.279
Fornos 2.248
Vale de Espinho Sabugal 2.142
Freixedas 2.080
Celorico (S.Pedro) 2.024
Folgozinho 1.961
Gonçalo 1.898
Sandomil 1.895
Famalicão 1.861
Vila Nova de Foscôa 3.825
Seia 3.728
S.Vicente (Guarda) 3.538
Pinhel 3.168
Vide 3.164
Sabugal 3.050
Vila Nova de Tazem 2.851
Quadrazais (Sabugal) 2.580
S.Romão 2.526
Gouveia (S.Pedro) 2.498
Loriga 2.548
Soito (Sabugal) 2.439
Tourais 2.379
Meda 2.339
Escalhão 2.295
Manteigas (S.Pedro) 2.279
Fornos 2.248
Vale de Espinho Sabugal 2.142
Freixedas 2.080
Celorico (S.Pedro) 2.024
Folgozinho 1.961
Gonçalo 1.898
Sandomil 1.895
Famalicão 1.861
O Soito no contexto Distrital em 1940 (População)
As 25 maiores povoações do Distrito em 1940
Povoações com mais de 1.500
1 Sé (Guarda) 3.900
2 Vila Nova de Foscôa 3.326
3 S. Vicente (Guarda) 2.656
4 Soito (Sabugal) 2.439
5 Loriga 2.363
6 Sabugal 2.287
7 Meda 2.191
8 V. de Espinho (Sabugal) 2.115
9 S. Pedro (Gouveia) 2.045
10 Pinhel 1.899
11 S.Romão 1.814
12 Vila Nova de Tazem 1.807
13 Quadrazais (Sabugal) 1.760
14 Escalhão 1.750
15 Alfaiates (Sabugal) 1.694
16 S. Pedro (Manteigas) 1.683
17 Figueira C. Rodrigo 1.666
18 Arcozelo 1.661
19 Famalicão 1.629
20 Santa Maria (Manteigas) 1.574
21 A. da Ponte (Sabugal) 1.542
22 Seia 1.539
23 Almendra 1.526
24 Gouveia (S.Julião) 1.489
25 Almeida 1.401
Povoações com mais de 1.500
1 Sé (Guarda) 3.900
2 Vila Nova de Foscôa 3.326
3 S. Vicente (Guarda) 2.656
4 Soito (Sabugal) 2.439
5 Loriga 2.363
6 Sabugal 2.287
7 Meda 2.191
8 V. de Espinho (Sabugal) 2.115
9 S. Pedro (Gouveia) 2.045
10 Pinhel 1.899
11 S.Romão 1.814
12 Vila Nova de Tazem 1.807
13 Quadrazais (Sabugal) 1.760
14 Escalhão 1.750
15 Alfaiates (Sabugal) 1.694
16 S. Pedro (Manteigas) 1.683
17 Figueira C. Rodrigo 1.666
18 Arcozelo 1.661
19 Famalicão 1.629
20 Santa Maria (Manteigas) 1.574
21 A. da Ponte (Sabugal) 1.542
22 Seia 1.539
23 Almendra 1.526
24 Gouveia (S.Julião) 1.489
25 Almeida 1.401
sábado, 17 de abril de 2010
Construção de um chafariz
Transcrito da acta da Câmara do Sabugal em 7 de Junho de 1913
“O Senhor Vereador Diogo Lopes fez sentir à Câmara a necessidade de na povoação do Souto, se construir um chafariz para abastecer os habitantes da mesma povoação de água potável limpa, pois que aquela de que actualmente usam é imprópria para o consumo, não só pela falta de limpeza das fontes, mas principalmente pelas águas serem de fácil inquinação nos pontos que atravessam, tornando-se necessário o abrir as fontes em local diferente daquele em que estão e para evitar que se desenvolva uma epidemia em povoação tão populosa.
Chama para este assunto a atenção da Câmara. Esta, achando justas as considerações apresentadas pelo Senhor Vereador, lamenta não poder actualmente dispor de uma quantia suficiente para tal obra. Mas a verdade é que lhe há-de faltar muita para as despesas obrigatórias, e, lembra ao Senhor Vereador que a Junta da Paróquia do Souto é a mais rica de todas as do concelho, tendo uma receita relativamente muito maior que esta Câmara, podendo e devendo ser ela a fazer as obras para o chafariz à sua custa. E sobre este assunto a Câmara resolve oficiar ao Senhor Administrador do Concelho.”
17 Abril 2010
“O Senhor Vereador Diogo Lopes fez sentir à Câmara a necessidade de na povoação do Souto, se construir um chafariz para abastecer os habitantes da mesma povoação de água potável limpa, pois que aquela de que actualmente usam é imprópria para o consumo, não só pela falta de limpeza das fontes, mas principalmente pelas águas serem de fácil inquinação nos pontos que atravessam, tornando-se necessário o abrir as fontes em local diferente daquele em que estão e para evitar que se desenvolva uma epidemia em povoação tão populosa.
Chama para este assunto a atenção da Câmara. Esta, achando justas as considerações apresentadas pelo Senhor Vereador, lamenta não poder actualmente dispor de uma quantia suficiente para tal obra. Mas a verdade é que lhe há-de faltar muita para as despesas obrigatórias, e, lembra ao Senhor Vereador que a Junta da Paróquia do Souto é a mais rica de todas as do concelho, tendo uma receita relativamente muito maior que esta Câmara, podendo e devendo ser ela a fazer as obras para o chafariz à sua custa. E sobre este assunto a Câmara resolve oficiar ao Senhor Administrador do Concelho.”
17 Abril 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
1676-1700
Baptizados realizados no Soito entre 1676 e 1700
1676…..18 Em 26 anos realizaram-se 624 baptizados
1677…..16 cerca de 25 por ano, nascimentos que
1678…..20 os 36 moradores que o Padre Carvalho atribui ao Soito
1679…….9 eram incapazes de gerar, logo, há erro histórico nos dados
1680…..13 que foram sucessivamente copiados pelos historiadores
1681…..13 que se seguiram.
1682…..20
1683…..21 Por inexistência de registos completos, apenas podemos
1684…..22 afirmar que entre 1676 e 1689 houve 92 casamentos,
1685…..17 número que também não se adequa à população referida
1686…..30 e que é mais um motivo para descrer nos dados acima.
1687…..28
1688…..27
1689…..33
1690…..36
1691…..33
1692…..31
1693…..28
1694…..32
1695…..27
1696…..34
1697…..23
1698…..28
1699…..34
1700…..31
Soma: 624
1676…..18 Em 26 anos realizaram-se 624 baptizados
1677…..16 cerca de 25 por ano, nascimentos que
1678…..20 os 36 moradores que o Padre Carvalho atribui ao Soito
1679…….9 eram incapazes de gerar, logo, há erro histórico nos dados
1680…..13 que foram sucessivamente copiados pelos historiadores
1681…..13 que se seguiram.
1682…..20
1683…..21 Por inexistência de registos completos, apenas podemos
1684…..22 afirmar que entre 1676 e 1689 houve 92 casamentos,
1685…..17 número que também não se adequa à população referida
1686…..30 e que é mais um motivo para descrer nos dados acima.
1687…..28
1688…..27
1689…..33
1690…..36
1691…..33
1692…..31
1693…..28
1694…..32
1695…..27
1696…..34
1697…..23
1698…..28
1699…..34
1700…..31
Soma: 624
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