Soito - Alguns dados do século XVII
Segundo os livros de assentos onde os registos de casamentos foram lavrados desde 1623 até 1690, aconteceram no Soito 326 casamentos, número do qual resulta uma média de cerca de 5 casamentos por ano.
Os anos em que aconteceram mais matrimónios foram o de 1648 com 12 e os de 1688 e 1690 com 11 cada, 1625 e 1685 quedaram-se pelos 10 cada um.
Os casamentos, com ou sem bênçãos matrimoniais, eram celebrados principalmente ao Domingo estando presente a maior parte do povo e os “Juízes do povo” que serviam como testemunhas.
Em 1625 eram juízes do povo: António Gomes, Domingos Antunes e Belchior Alvez o Necho, em 1630 faziam parte da nova comissão de juízes, Francisco Nunes, Domingos Gonçalvez, ferreiro e o mesmo Belchior Alvez que vinha da anterior.
Em 1631 as testemunhas eram António Gomes e seu filho Domingos Gomes, (clérigo de epistola) que seria Cura do Soito entre 1635 e 1638, Domingos Lourenço e António Nabais, juízes da nova comissão e Belchior Alvez.
A referência à identificação dos pais dos nubentes só aparece em 1650 e como testemunhas mais tarde chamadas padrinhos, em todo este espaço histórico, só podiam ser os homens muito embora as mulheres viessem já a ser madrinhas de baptismo desde tempos anteriores.
Quanto a baptismos foram realizados 983 entre 1631 e 1690 e ainda que haja anos em falta por deterioração dos livros, a média de 16 por ano é já um bom índice do movimento e da população deste povo.
De 8 de Abril de 1664, (tempo áureo do capitão Tolda) chega-nos o seguinte registo de casamento: … recebi a Francisco Gonçalves filho de Anna Gonçalves e a Maria Gonçalves, forão padrinhos digo testemunhas o Tenente Fortes, o Tenente Francisco Gonçalves e o Capitão Diogo Martins Amaral.
Lembramos ainda um outro registo de casamento: Aos dois dias de mês de Agosto de mil seis centos e outenta annos recebeo em face de igreja o Reverendo Domingos de Faria vigário deste lugar a Balthazar da Costa Pachequo filho de António Costa Pachequo e de sua molher Silia Craveira naturais da Villa de Linhares Bispado de Coimbra com Dona Lianor filha de Diogo Martins de Amaral e de sua molher Dona Maria Martins naturais deste Lugar do Souto foram testemunhas Francisco Luís e Domingos Vaz e António Martins todos moradores deste Lugar de Souto por ser verdade assino Domingos Mansso.
Dona Leonor foi baptizada em 1656:
Aos vinte e sete dias do mês de Julho deste presente anno de mil seis centos e cincoenta e seis eu opadre Domingos de faria cura deste Lugar de Souto Baptizei a Leonor filha do Tenente Diogo Martins e de sua molher Maria Martins, forão padrinhos o Reverendo de Quadrazais João Antunes e Maria de Amaral irmã do Tenente pay da baptizada e por verdade assiney…
Foi o primeiro baptizado que este Padre efectuou no Soito.
O Capitão “Tolda” à época ainda Tenente, tinha pelo menos dois irmãos: esta Maria de Amaral e Affonso Martins de Amaral, ela casou em 7 de Maio de 1657 com João Esteves tendo por testemunhas o Padre Domingos e Diogo Martins de Amaral seu irmão todos deste Lugar do Souto e ele, Affonso, casou no dia 6 de Janeiro de 1659 com Catharina Moreira que veio do Lugar da Mouta.
Entre outros possíveis, houve neste século alguns padres naturais do Soito, entre eles contam-se António Vaz, Domingos Gomes, Domingos Manso e Francisco Martins.
Jan. 2006
Não pretendo escrever a história do Soito, mas tão só dar a conhecer factos ignorados do seu passado e, transmitir a verdade que os arquivos empoeirados do tempo me emprestaram.
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quinta-feira, 18 de março de 2010
José Fernandes Farinha
(Cavaleiro da Ordem Torre e Espada)
“Não louves homem algum antes da morte” (Eclesiástico XI, 28)
Na verdade não há heróis vivos e alguns daqueles a quem a posteridade atribuiu esse estatuto, foram, em vida, quase desprezados ou simplesmente ignorados senão mesmo maltratados pelos seus contemporâneos, outros, como o cidadão de que vamos falar, foi louvado em vida mas de modo efémero, pois, algum tempo passado, foi ignorado como ignorado o seu feito.
Vem este preâmbulo a propósito de José Fernandes Farinha, nascido no Soito, em casa humilde, no dia 17 de Agosto de 1850, filho de José Fernandes Farinha e de Luísa Antunes.
Casou em 14 de Outubro de 1876 com Maria Rodrigues e foram padrinhos de casamento seu irmão Manuel Fernandes Farinha, sapateiro e sua mulher Maria Nunes Ambrósio, fiadeira.
Tinha ainda outra irmã, Maria Fernandes Farinha, que fora Ama permanente desde 1889 até 1912, conforme consta nos livros de registo de expostos e que casou com Joaquim Fernandes Monteiro em 20 de Setembro de 1882 falecendo a 5 de Novembro de 1915 (sete dias antes dele) deixando uma filha.
Não tinha profissão específica o nosso herói, era jornaleiro, mas digno, correcto e leal.
O seu acto de coragem, que abaixo transcrevemos, valeu-lhe uma distinção honorifica por parte do Rei D. Luís Primeiro através de Decreto datado de 7 de Junho de 1877 e que consistiu na sua nomeação como Cavaleiro da antiga e muito nobre Ordem da Torre e Espada, valor, lealdade e mérito.
A medalha foi-lhe “pregada no peito” no dia 26 de Junho de 1877, em plena Sessão Extraordinária da Câmara, convocada para o efeito por portaria de 15 de Junho, sendo-lhe entregue o respectivo Diploma na “presença do Senhor Administrador, Juiz de Direito, Delegado do Procurador Régio, quase todo o funcionalismo público, o Fiscal da Alfandega encarregado do posto do Sabugal com grande número de empregados sob o seu comando, toda a força militar estacionada nesta Vila e alguns cavalheiros desta Vila e concelho, que quiseram mostrar assim quanto foi justo o procedimento de Sua Majestade” era Presidente da Câmara o Doutor António Justino Bigotte.
Os feitos que originaram esta distinção e segundo o relato escrito, consistiram na defesa, com risco da própria vida, de nove guardas da alfândega, que acolheu em sua casa, perseguidos por um grupo de cidadãos de Quadrazais.
Eis um fragmento do texto da acta de sessão da Câmara desse dia 26 de Junho: “A Câmara Municipal do concelho do Sabugal, tendo no mais alto apreço os actos de devoção cívica e admirável coragem praticados por José Fernandes Farinha, do Souto, freguesia deste concelho do Sabugal em a tarde de 23 de Abril último e os sentimentos humanitários de que o mesmo deu prova nesse terrível dia, salvando com risco da própria existência as vidas de nove guardas d’Alfandega brutalmente perseguidos por um bando de malfeitores de Quadrazais, honra aquele benemérito cidadão por seu extremado valor e abnegação e felicita-o pelas merecidas honras que Sua Majestade se dignou conferir-lhe por Decreto de 7 de Junho corrente”
Foi ainda Tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia no período 1879/1880 em que a receita foi de 131.250 reis e a despesa de 92.750, havendo um saldo positivo de 38.500 reis.
Foi ainda Provedor em 1880/1881.
Morreu praticamente na miséria ás 4 horas da manhã do dia 12 de Novembro de 1915 na loja da casa de residência de Manuel Alves.
Tinha 64 anos, era viúvo e não deixou filhos conforme se pode ler no registo de óbito escrito pelo padre António Francisco Gonçalves.
E assim morreu um homem que fora herói por tão pouco tempo.
E que é feito da medalha? Que hoje podia fazer história!!!
Jan. 2005
“Não louves homem algum antes da morte” (Eclesiástico XI, 28)
Na verdade não há heróis vivos e alguns daqueles a quem a posteridade atribuiu esse estatuto, foram, em vida, quase desprezados ou simplesmente ignorados senão mesmo maltratados pelos seus contemporâneos, outros, como o cidadão de que vamos falar, foi louvado em vida mas de modo efémero, pois, algum tempo passado, foi ignorado como ignorado o seu feito.
Vem este preâmbulo a propósito de José Fernandes Farinha, nascido no Soito, em casa humilde, no dia 17 de Agosto de 1850, filho de José Fernandes Farinha e de Luísa Antunes.
Casou em 14 de Outubro de 1876 com Maria Rodrigues e foram padrinhos de casamento seu irmão Manuel Fernandes Farinha, sapateiro e sua mulher Maria Nunes Ambrósio, fiadeira.
Tinha ainda outra irmã, Maria Fernandes Farinha, que fora Ama permanente desde 1889 até 1912, conforme consta nos livros de registo de expostos e que casou com Joaquim Fernandes Monteiro em 20 de Setembro de 1882 falecendo a 5 de Novembro de 1915 (sete dias antes dele) deixando uma filha.
Não tinha profissão específica o nosso herói, era jornaleiro, mas digno, correcto e leal.
O seu acto de coragem, que abaixo transcrevemos, valeu-lhe uma distinção honorifica por parte do Rei D. Luís Primeiro através de Decreto datado de 7 de Junho de 1877 e que consistiu na sua nomeação como Cavaleiro da antiga e muito nobre Ordem da Torre e Espada, valor, lealdade e mérito.
A medalha foi-lhe “pregada no peito” no dia 26 de Junho de 1877, em plena Sessão Extraordinária da Câmara, convocada para o efeito por portaria de 15 de Junho, sendo-lhe entregue o respectivo Diploma na “presença do Senhor Administrador, Juiz de Direito, Delegado do Procurador Régio, quase todo o funcionalismo público, o Fiscal da Alfandega encarregado do posto do Sabugal com grande número de empregados sob o seu comando, toda a força militar estacionada nesta Vila e alguns cavalheiros desta Vila e concelho, que quiseram mostrar assim quanto foi justo o procedimento de Sua Majestade” era Presidente da Câmara o Doutor António Justino Bigotte.
Os feitos que originaram esta distinção e segundo o relato escrito, consistiram na defesa, com risco da própria vida, de nove guardas da alfândega, que acolheu em sua casa, perseguidos por um grupo de cidadãos de Quadrazais.
Eis um fragmento do texto da acta de sessão da Câmara desse dia 26 de Junho: “A Câmara Municipal do concelho do Sabugal, tendo no mais alto apreço os actos de devoção cívica e admirável coragem praticados por José Fernandes Farinha, do Souto, freguesia deste concelho do Sabugal em a tarde de 23 de Abril último e os sentimentos humanitários de que o mesmo deu prova nesse terrível dia, salvando com risco da própria existência as vidas de nove guardas d’Alfandega brutalmente perseguidos por um bando de malfeitores de Quadrazais, honra aquele benemérito cidadão por seu extremado valor e abnegação e felicita-o pelas merecidas honras que Sua Majestade se dignou conferir-lhe por Decreto de 7 de Junho corrente”
Foi ainda Tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia no período 1879/1880 em que a receita foi de 131.250 reis e a despesa de 92.750, havendo um saldo positivo de 38.500 reis.
Foi ainda Provedor em 1880/1881.
Morreu praticamente na miséria ás 4 horas da manhã do dia 12 de Novembro de 1915 na loja da casa de residência de Manuel Alves.
Tinha 64 anos, era viúvo e não deixou filhos conforme se pode ler no registo de óbito escrito pelo padre António Francisco Gonçalves.
E assim morreu um homem que fora herói por tão pouco tempo.
E que é feito da medalha? Que hoje podia fazer história!!!
Jan. 2005
Uma questão de direito.
Quando se torna efectiva uma promoção, é por hábito ou obrigação, acompanhada de uma mais-valia, seja monetária ou de simples privilégio, mas no caso do Soito, a promoção a vila não trouxe nada de válido ou visível, pelo contrário, parece que foi o nascer de uma campanha destinada a remeter o povo a um estatuto de menoridade que nunca teve.
Há quase 10 meses que a população do Soito, (aldeia promovida a vila há mais de cinco anos) está sem médico de família, estando assim privada de um direito que lhe assiste como a qualquer outra, seja ela deste interior ignorado como da cidade mais populosa e conhecida.
Não pretendo apontar responsáveis directos (embora acredite que os haja) e muito menos culpabilizar o Director do Centro de Saúde do Sabugal pelo acontecido, (sem ovos não podem ser feitas omoletas), no entanto há culpados e têm que ser responsabilizados pela violação da lei e discriminação do povo, pois não está a ser cumprido aquilo que a Constituição decreta e que é valido para todos os cidadãos sem excepção.
Diz o artigo 64 que: “todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover,” e a alínea a) do número 4 do mesmo artigo diz que: “ao estado incumbe: garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação”, mais, o artigo 1º. Da Declaração Universal dos Direito do Homem, de que Portugal é signatário, afirma que: “ todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
Ora, perante esta situação somos obrigados a concluir que há iguais e desiguais e que os doentes do Soito estão a ser considerados desiguais, já que os serviços médicos que lhe são prestados, pecam por serem insuficientes e diferentes para pior.
Pedir um médico de família para o Soito, não é um acto de favor, é reclamar um direito que foi adquirido há já algumas décadas e do qual está a ser privado embora o povo continue a cumprir as suas obrigações fiscais.
A falta de médicos não é desculpa justificativa que possa ser aceite, já que o país tem, segundo as estatísticas, médicos em número suficiente em razão dos habitantes, acontece que, devido a incompetência ou a má-fé, as entidades tutelares superiores, cedem aos “lobis” instalados em prejuízo do povo que os sustenta e adiam decisões que deviam ser tomadas em tempo real.
Se o SNS é um modelo antiquado, obsoleto e incapaz de responder às necessidades do povo, porque não fazer uma reforma de fundo, doa a quem doer? De quem têm medo os governos, não só o último mas também outros anteriores, já que o mal vem de longe?
Se os nossos políticos são tão habilidosos a copiar ou importar as leis e os procedimentos estranhos que lhes convêm, porque não copiam o que de bom se faz lá fora no aspecto da assistência médica?
Mal vamos neste país, quando é o próprio Estado que se furta aos deveres assumidos para com os cidadãos, está a dar mau exemplo e a convidar outros a segui-lo.
Que faria o Estado aos habitantes de um povo, se estes não cumprissem as suas obrigações fiscais para com ele? Certamente usaria a cobrança coerciva. Então e quando é ele, o Estado, a não cumprir as suas obrigações, quem lhe pede contas?
Que se cuidem outros povos, deste e doutros concelhos, pois pelo caminho que isto leva, o mais certo é serem centralizados nas sedes de concelho todos os serviços médicos e extinguir os postos de saúde das aldeias. Veremos!
Março de 2005
Há quase 10 meses que a população do Soito, (aldeia promovida a vila há mais de cinco anos) está sem médico de família, estando assim privada de um direito que lhe assiste como a qualquer outra, seja ela deste interior ignorado como da cidade mais populosa e conhecida.
Não pretendo apontar responsáveis directos (embora acredite que os haja) e muito menos culpabilizar o Director do Centro de Saúde do Sabugal pelo acontecido, (sem ovos não podem ser feitas omoletas), no entanto há culpados e têm que ser responsabilizados pela violação da lei e discriminação do povo, pois não está a ser cumprido aquilo que a Constituição decreta e que é valido para todos os cidadãos sem excepção.
Diz o artigo 64 que: “todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover,” e a alínea a) do número 4 do mesmo artigo diz que: “ao estado incumbe: garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação”, mais, o artigo 1º. Da Declaração Universal dos Direito do Homem, de que Portugal é signatário, afirma que: “ todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
Ora, perante esta situação somos obrigados a concluir que há iguais e desiguais e que os doentes do Soito estão a ser considerados desiguais, já que os serviços médicos que lhe são prestados, pecam por serem insuficientes e diferentes para pior.
Pedir um médico de família para o Soito, não é um acto de favor, é reclamar um direito que foi adquirido há já algumas décadas e do qual está a ser privado embora o povo continue a cumprir as suas obrigações fiscais.
A falta de médicos não é desculpa justificativa que possa ser aceite, já que o país tem, segundo as estatísticas, médicos em número suficiente em razão dos habitantes, acontece que, devido a incompetência ou a má-fé, as entidades tutelares superiores, cedem aos “lobis” instalados em prejuízo do povo que os sustenta e adiam decisões que deviam ser tomadas em tempo real.
Se o SNS é um modelo antiquado, obsoleto e incapaz de responder às necessidades do povo, porque não fazer uma reforma de fundo, doa a quem doer? De quem têm medo os governos, não só o último mas também outros anteriores, já que o mal vem de longe?
Se os nossos políticos são tão habilidosos a copiar ou importar as leis e os procedimentos estranhos que lhes convêm, porque não copiam o que de bom se faz lá fora no aspecto da assistência médica?
Mal vamos neste país, quando é o próprio Estado que se furta aos deveres assumidos para com os cidadãos, está a dar mau exemplo e a convidar outros a segui-lo.
Que faria o Estado aos habitantes de um povo, se estes não cumprissem as suas obrigações fiscais para com ele? Certamente usaria a cobrança coerciva. Então e quando é ele, o Estado, a não cumprir as suas obrigações, quem lhe pede contas?
Que se cuidem outros povos, deste e doutros concelhos, pois pelo caminho que isto leva, o mais certo é serem centralizados nas sedes de concelho todos os serviços médicos e extinguir os postos de saúde das aldeias. Veremos!
Março de 2005
O nosso concelho no século XIX
Em 1822 os povos que compunham o concelho eram os seguintes e pagavam de derrama do Souto do Concelho os valores que se seguem: Ozendo; 2.200 reis, Quadrazais; 18.000 reis, Vale de Espinho; 5.000, Foios; 1.000, Aldeia do Bispo; 4.400, Lageosa; 4.400, Souto; 8.000, Nave; 4.300, Aldeia da Dona; 1.000, Valongo; 1.000, Ruivos; 1.000, Ruvina 1.000, Vale das Éguas; 1.000, Vila Boa 3.900, e Rendo 5.000.
Em 1832 a Câmara emitiu uma relação das contribuições em géneros, atribuída a cada povo e a entregar no Celeiro Municipal: Sabugal 25 alqueires, Soito 38, Quadrazais 32, Vale de Espinho 25, Aldeia do Bispo 25, Foios 10, Lageosa 32, Aldeia Velha 25, Nave 27, Vila Boa 23, Rendo 32, Ruvina 15, Ruivos 12, Raza 12, Aldeia da Dona 12, Valongo 12, Vale das Éguas 15, Ozendo 15 e Torre 10.
Num mapa de 1836 podemos ver as freguesias com os respectivos fogos; Sabugal e Torre 218, Quadrazais e Ozendo 318, Val d’Espinho 181, Foios 60, Aldeia do Bispo116, Lageosa 135, Aldeia Velha 156, Soito 230, Nave e Aldeia da Dona 163, Vila Boa 126, Ruvina 34, Rendo 155, Touro 260, Rapoula 63 e Quintas 80.
Até 1836, o concelho limitava-se ás freguesias (civis) de Sabugal, Rendo, Vila Boa, Nave, Soito, Quadrazais, Vale de Espinho, Ruvina, Ruivos, Rapoula e Quintas.
Foi neste ano que o concelho de Vila do Touro foi anexado ao Sabugal.
O século XIX foi confuso no aspecto administrativo: concelhos extintos, anexados a outros e de novo reorganizados.
O mesmo Decreto de 6 de Novembro de 1836 que integrou o Concelho de Vila do Touro no do Sabugal; extinguia também o de Alfaiates e anexava-o ao de Vilar Maior, que ficou composto pelas seguintes freguesias; Malhada Sorda, Nave de Haver, Aldeia da Ponte, Forcalhos, Alfaiates, Rebolosa, Aldeia da Ribeira, Bismula, Vale das Éguas, Seixo do Côa, Badamalos e Vilar Maior.
Em 1850 era 15 as freguesias que compunham o termo do Sabugal; Sabugal, Quadrazais, Vale de Espinho, Foios, Aldeia do Bispo, Lageosa, Aldeia Velha, Soito, Nave, Vila Boa, Rendo, Ruvina, Rapoula, Touro e Quintas.
Dezanove anos depois (24 de Outubro de 1855) os concelhos de Vilar Maior, Sortelha e Castelo Mendo, são anexados ao Sabugal elevando para 57 o número de freguesias, incluindo já Pousafoles que em tempos pertencera à Guarda.
As freguesias de Malcata e Urgueira já haviam sido desanexadas do concelho de Sortelha em 1851, mas embora a Câmara do Sabugal tivesse tomado posse destas duas freguesias em 30 de Dezembro do dito ano, (nas praças públicas respectivas) o processo desenvolveu-se com algum atraso devido à oposição da Câmara de Sortelha e dos respectivos regedores mas acabou por ser levado a cabo no ano seguinte.
Os extensos domínios do Sabugal duraram apenas alguns anos, já que em 7 de Dezembro de 1870 e 1 de Março de 1883 foram desanexadas do Sabugal e absorvidas por Almeida, todas as freguesias que pertenceram a Castelo Mendo à excepção de Cerdeira, Miuzela, Porto de Ovelha e Parada, freguesias que em 12 de Julho de 1895 passaram também para Almeida, à excepção da Cerdeira, reduzindo assim para 39 o número de freguesias até à criação da freguesia do Baraçal em 18 de Maio de1904, passando a 40, número que ainda hoje se mantém.
Segundo as contas de 1855, a freguesia que pagava maior derrama era Quadrazais; de Junho a Dezembro o valor ascendeu a 166.127 reis, seguia-se o Soito com 132.203. Touro com 120.815 e Sabugal com 119.339. Destes valores, cerca de 80% eram destinados a despesas com os expostos e o restante era considerado derrama Municipal.
No ano económico que compreendia Julho de 1858 a Junho de 1859: Quadrazais pagava 238.400 reis, o Soito 187.344 e o Sabugal 171.052.
Em 1832 a Câmara emitiu uma relação das contribuições em géneros, atribuída a cada povo e a entregar no Celeiro Municipal: Sabugal 25 alqueires, Soito 38, Quadrazais 32, Vale de Espinho 25, Aldeia do Bispo 25, Foios 10, Lageosa 32, Aldeia Velha 25, Nave 27, Vila Boa 23, Rendo 32, Ruvina 15, Ruivos 12, Raza 12, Aldeia da Dona 12, Valongo 12, Vale das Éguas 15, Ozendo 15 e Torre 10.
Num mapa de 1836 podemos ver as freguesias com os respectivos fogos; Sabugal e Torre 218, Quadrazais e Ozendo 318, Val d’Espinho 181, Foios 60, Aldeia do Bispo116, Lageosa 135, Aldeia Velha 156, Soito 230, Nave e Aldeia da Dona 163, Vila Boa 126, Ruvina 34, Rendo 155, Touro 260, Rapoula 63 e Quintas 80.
Até 1836, o concelho limitava-se ás freguesias (civis) de Sabugal, Rendo, Vila Boa, Nave, Soito, Quadrazais, Vale de Espinho, Ruvina, Ruivos, Rapoula e Quintas.
Foi neste ano que o concelho de Vila do Touro foi anexado ao Sabugal.
O século XIX foi confuso no aspecto administrativo: concelhos extintos, anexados a outros e de novo reorganizados.
O mesmo Decreto de 6 de Novembro de 1836 que integrou o Concelho de Vila do Touro no do Sabugal; extinguia também o de Alfaiates e anexava-o ao de Vilar Maior, que ficou composto pelas seguintes freguesias; Malhada Sorda, Nave de Haver, Aldeia da Ponte, Forcalhos, Alfaiates, Rebolosa, Aldeia da Ribeira, Bismula, Vale das Éguas, Seixo do Côa, Badamalos e Vilar Maior.
Em 1850 era 15 as freguesias que compunham o termo do Sabugal; Sabugal, Quadrazais, Vale de Espinho, Foios, Aldeia do Bispo, Lageosa, Aldeia Velha, Soito, Nave, Vila Boa, Rendo, Ruvina, Rapoula, Touro e Quintas.
Dezanove anos depois (24 de Outubro de 1855) os concelhos de Vilar Maior, Sortelha e Castelo Mendo, são anexados ao Sabugal elevando para 57 o número de freguesias, incluindo já Pousafoles que em tempos pertencera à Guarda.
As freguesias de Malcata e Urgueira já haviam sido desanexadas do concelho de Sortelha em 1851, mas embora a Câmara do Sabugal tivesse tomado posse destas duas freguesias em 30 de Dezembro do dito ano, (nas praças públicas respectivas) o processo desenvolveu-se com algum atraso devido à oposição da Câmara de Sortelha e dos respectivos regedores mas acabou por ser levado a cabo no ano seguinte.
Os extensos domínios do Sabugal duraram apenas alguns anos, já que em 7 de Dezembro de 1870 e 1 de Março de 1883 foram desanexadas do Sabugal e absorvidas por Almeida, todas as freguesias que pertenceram a Castelo Mendo à excepção de Cerdeira, Miuzela, Porto de Ovelha e Parada, freguesias que em 12 de Julho de 1895 passaram também para Almeida, à excepção da Cerdeira, reduzindo assim para 39 o número de freguesias até à criação da freguesia do Baraçal em 18 de Maio de1904, passando a 40, número que ainda hoje se mantém.
Segundo as contas de 1855, a freguesia que pagava maior derrama era Quadrazais; de Junho a Dezembro o valor ascendeu a 166.127 reis, seguia-se o Soito com 132.203. Touro com 120.815 e Sabugal com 119.339. Destes valores, cerca de 80% eram destinados a despesas com os expostos e o restante era considerado derrama Municipal.
No ano económico que compreendia Julho de 1858 a Junho de 1859: Quadrazais pagava 238.400 reis, o Soito 187.344 e o Sabugal 171.052.
Dossier: Freguesias
Tenho lido com atenção os textos sobre cada uma das freguesias do concelho que o Cinco Quinas em boa hora quis dar a conhecer, pena é que alguns, a maioria, pequem por ausência de factos históricos que são fundamentais para um conhecimento mais aprofundado dos povos.
Porque entendo que face a outros, o texto sobre o Soito está incompleto, gostaria de dar a conhecer um pouco mais sobre o seu passado.
Em primeiro lugar e quando se fala da menoridade de alguns povos e a propósito dos forais dados ao Sabugal é importante saber que os privilégios por eles outorgados eram extensivos ao termo, logo a todas as povoações de que era composto e não só à sede de concelho.
A paróquia de Sancta Maria do Souto que só em finais do século XVII passaria a ter por Padroeira Nossa Senhora da Conceição, já em 1321 fazia parte da lista das Igrejas de Riba-Côa incluídas no Bispado de Ciudad Rodrigo e em 3 de Junho de 1359 é taxada em 10 libras pelos juízes exactores reunidos na Guarda.
Ao contrário da versão tida como verdadeira de que o Soito era no principio do século XVIII, um simples lugarejo com 36 moradores (um terço da população atribuída a alguns povos vizinhos) posso afirmar que por volta de 1700 foram feitos no Soito muito mais registos de baptismos do que em qualquer outro lugar à excepção de Quadrazais que se equiparava.
Em cinco anos; 1700/1704, realizaram-se 182 baptismos o que significa mais de 36 por ano, número desajustado aos dados atribuídos.
Segundo o Cadastro de 1527, o Soito era o principal lugar do termo com 160 moradores num total concelhio de 1.027.
Em 1640, em Memórias da Academia de Ciências, pode ver-se um mapa onde o Soito consta ao lado de Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Alijó, etc.
Também em 1758 o Soito com 220 fogos, só era ultrapassado pelo Sabugal que com duas freguesias, Santa Maria e São João, tinha 248 fogos, seguia-se Quadrazais com 190.
Em 1798 segundo o Censo de Pina Manique tinha 243, o Sabugal 264 e Quadrazais, com Ozendo, 293.
Em 1940 o Soito, como lugar, ocupava a quarta posição a nível distrital com 2.439 habitantes atrás da Sé da Guarda com 3.900, Vila Nova de Foscôa com 3.226 e São Vicente (Guarda) com 2.656, o Sabugal tinha 2.287 e Quadrazais 1.760.
Embora não haja património histórico que o ateste, podemos ler em Paróquias Suevas e Dioceses Visigóticas de A. De Almeida Fernandes, que o Soito (Sotto) já era uma Civitas Transcudani no século VII, de salientar que Sotto, era no século XVII Soutto, depois Souto e actualmente é mais conhecido como Soito.
Teve, segundo diz o Padre Hipólito Tavares, nas Memórias Paroquiais de 1758; “um forte muito antigo, mas no presente todo demolido” .
O Soito foi também a primeira povoação do concelho que não era nem foi sede de concelho, a ter criada uma Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, com capela própria que já no século XVII recebia os corpos de alguns irmãos que ali eram sepultados e tinha já em 1886 depósitos na Junta de Crédito Publico no valor de mais de 3.000.000 de reis e um vasto património legado pelo casal Baltazar da Costa, capitão de cavalos natural de Linhares e que casou no Soito com D. Leonor, filha do Capitão Tolda e que em resultado dos méritos de seu pai foi distinguida com o ábito de Cristo e cem mil reis de tença. Este casal viveu em finais do século XVII princípios do século XVIII
Porque entendo que face a outros, o texto sobre o Soito está incompleto, gostaria de dar a conhecer um pouco mais sobre o seu passado.
Em primeiro lugar e quando se fala da menoridade de alguns povos e a propósito dos forais dados ao Sabugal é importante saber que os privilégios por eles outorgados eram extensivos ao termo, logo a todas as povoações de que era composto e não só à sede de concelho.
A paróquia de Sancta Maria do Souto que só em finais do século XVII passaria a ter por Padroeira Nossa Senhora da Conceição, já em 1321 fazia parte da lista das Igrejas de Riba-Côa incluídas no Bispado de Ciudad Rodrigo e em 3 de Junho de 1359 é taxada em 10 libras pelos juízes exactores reunidos na Guarda.
Ao contrário da versão tida como verdadeira de que o Soito era no principio do século XVIII, um simples lugarejo com 36 moradores (um terço da população atribuída a alguns povos vizinhos) posso afirmar que por volta de 1700 foram feitos no Soito muito mais registos de baptismos do que em qualquer outro lugar à excepção de Quadrazais que se equiparava.
Em cinco anos; 1700/1704, realizaram-se 182 baptismos o que significa mais de 36 por ano, número desajustado aos dados atribuídos.
Segundo o Cadastro de 1527, o Soito era o principal lugar do termo com 160 moradores num total concelhio de 1.027.
Em 1640, em Memórias da Academia de Ciências, pode ver-se um mapa onde o Soito consta ao lado de Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Alijó, etc.
Também em 1758 o Soito com 220 fogos, só era ultrapassado pelo Sabugal que com duas freguesias, Santa Maria e São João, tinha 248 fogos, seguia-se Quadrazais com 190.
Em 1798 segundo o Censo de Pina Manique tinha 243, o Sabugal 264 e Quadrazais, com Ozendo, 293.
Em 1940 o Soito, como lugar, ocupava a quarta posição a nível distrital com 2.439 habitantes atrás da Sé da Guarda com 3.900, Vila Nova de Foscôa com 3.226 e São Vicente (Guarda) com 2.656, o Sabugal tinha 2.287 e Quadrazais 1.760.
Embora não haja património histórico que o ateste, podemos ler em Paróquias Suevas e Dioceses Visigóticas de A. De Almeida Fernandes, que o Soito (Sotto) já era uma Civitas Transcudani no século VII, de salientar que Sotto, era no século XVII Soutto, depois Souto e actualmente é mais conhecido como Soito.
Teve, segundo diz o Padre Hipólito Tavares, nas Memórias Paroquiais de 1758; “um forte muito antigo, mas no presente todo demolido” .
O Soito foi também a primeira povoação do concelho que não era nem foi sede de concelho, a ter criada uma Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, com capela própria que já no século XVII recebia os corpos de alguns irmãos que ali eram sepultados e tinha já em 1886 depósitos na Junta de Crédito Publico no valor de mais de 3.000.000 de reis e um vasto património legado pelo casal Baltazar da Costa, capitão de cavalos natural de Linhares e que casou no Soito com D. Leonor, filha do Capitão Tolda e que em resultado dos méritos de seu pai foi distinguida com o ábito de Cristo e cem mil reis de tença. Este casal viveu em finais do século XVII princípios do século XVIII
No 5º Aniversário da elevação do Soito a Vila
Estareis certamente a pensar: que tem este para nos dizer acerca do Soito, se nem sequer aqui nasceu?
A verdade é que embora pouco, sei mais da história do Soito, do que da minha própria terra.
Também sei, que numa terra como o Soito, que tem centenas de licenciados, dezenas de mestres e alguns doutores, não seria eu, que, do ponto de vista estatístico faço parte do número de ignorantes deste país, a pessoa mais indicada, para dizer algumas palavras acerca do passado desta terra, no entanto, e porque me foi sugerido pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia, não quis deixar de prestar o meu humilde contributo, esperando que ele sirva para esclarecer algumas imprecisões históricas.
O passado do Soito começou a interessar-me desde há cerca de dez anos: havia fragmentos da sua história, totalmente contraditórios com outros e que me custavam a aceitar, daí ter começado esta busca, quase por brincadeira.
Não sou historiador, sou amigo de saber, e é essa vontade de saber que me tem levado até aos arquivos e a outras fontes de informação, sabendo que a história nunca está completa, há sempre novos dados a acrescentar e erros a corrigir enquanto houver quem queira ir mais além, à busca dum passado que existe, embora nos pareça obscuro.
Sei, que em parte de muitos Soitenses, há um sentimento de menoridade histórica e territorial, que teria sido erradamente transmitido, por quem não aprofundou a investigação do passado desta terra.
As datas, os números e os factos que vos passo a transmitir, são credíveis, têm bases documentais que tenho em meu poder, e delas posso ceder cópias a quem estiver interessado.
Sabe-se que a região de Riba Côa, só passou para a soberania portuguesa em 1297 através do Tratado de Alcanizes, mas também é certo que no domínio espiritual continuou a ser dependente do Bispado de Cidade Rodrigo até 1403, altura em que o Bispo de Lamego, D. João de Vicente, conseguiu a desanexação, confirmada por bula do Papa Bonifácio IX e datada de 5 de Julho.
Em 1321, vão passados quase 700 anos, já o Soito constava na lista das Igrejas do termo do Sabugal e em 3 de Junho de 1359, os juízes exactores, reunidos na cidade da Guarda começaram a impor taxas às Igrejas que estavam em território português e pertencentes ao dito bispado, sendo então a Igreja de Santa Maria do Soito taxada em 10 libras.
A propósito, quero esclarecer, que a primitiva paróquia de Santa Maria do Souto só mais tarde passaria a ter por padroeira Nossa Senhora da Conceição, já que o culto à Imaculada começou a consolidar-se no século XVII, especialmente depois de D. João IV a ter proclamado padroeira “dos nossos reinos e senhorios” no dizer dele, em 25 de Março de 1646 o que seria confirmado pelo Papa Clemente X em 8 de Maio de 1671.
Por essa época, muitas outras paróquias que se intitulavam de Santa Maria, tomaram por padroeira Nossa Senhora da Conceição.
Em 1511, o Sabugal tinha três paróquias; São João que tinha a Nave e outras como anexas, São Miguel à qual estava unida a do Soito, apesar de ser “Câmara do Bispo tendo como Abade Gonçalo Martins”, e ainda Santa Maria.
Dezasseis anos mais tarde, em 1527, e segundo o Cadastro da População do Reino, o então concelho do Sabugal tinha apenas 1027 moradores sendo o Soito o principal lugar com 160, Quadrazais 134, a Nave 98, Vale de Espinho 58, os Foios 7 e havia outros povos ou quintas que não interessa agora referir.
De salientar que segundo este Cadastro e na região, apenas o Sabugal com 213 moradores, dentro dos muros e no arrabalde, ou Almeida com 264 ultrapassavam o numero dos moradores do Soito.
Segundo uma estimativa da população portuguesa em 1640, da autoria do professor Joaquim Veríssimo Serrão publicada em 1975 e baseada nas memórias da Academia das Ciências, o Soito consta num mapa ao lado de Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Vilar Maior, e Numão para só referir as terras mais próximas, cada uma com um número de vizinhos entre os 100 e os 200 o que significa entre 400 a 800 moradores.
Poucos anos depois, era governador de Alfaiates o poeta e guerreiro Brás Garcia de Mascarenhas, e o Soito nessa época também esteve envolvido nas disputas fronteiriças; foi por essa altura que reuniram, aqui no Soito, D. Sancho Manuel e D. Rodrigo de Castro com as suas tropas e daqui partiram para Alcântara com 400 cavalos e 250 soldados, não sendo de excluir a hipótese de alguns deles serem Soitenses, fortes e destemidos como sempre foram.
As hostilidades entre Portugueses e Espanhóis continuaram, no reinado de D. Pedro II, foi nesse tempo que sobressaiu, devido às suas heróicas façanhas, um tal Tolda, capitão de cavalaria, que foi considerado o Nun’Álvares do castelo de Alfaiates, a ele se refere o Padre Hipólito em 1758 escrevendo; “ ainda se conserva nesta freguesia, a trombeta da sua Companhia com grande estimação” Pena é que tivesse desaparecido.
Também o reytor António Carvalho Baptista em memórias paroquiais de Alfaiates diz acerca do “Capitão Tolda”: temido raio de Marte que fez grandes feitos!
Escreveu ainda o Padre Hipólito, que paroquiou o Soito entre 1745 e 1786, em Memória Paroquial datada de 29 de Maio de 1758 a pedido do Marquês do Pombal e inserida no Dicionário Geográfico, que o Soito tinha 226 vizinhos, com setecentas e vinte pessoas maiores e menores, ainda segundo este pároco o Soito já tinha para além da Igreja mais oito capelas: Dentro da freguesia São Modesto.
Fora da freguesia; São Brás, Espírito Santo, Santa Bárbara, Santo António, São João, Nossa Senhora dos Prazeres, Santo Amaro e a capela da Misericórdia.
Respondendo à questão 25 o Padre responde; “acha-se nesta terra um forte muito antigo, mas no presente está todo demolido”
Em meu entender de leigo, penso que este forte, teria sido destruído entre 1640 e 1660, aquando das investidas castelhanas, que pilharam e incendiaram várias povoações, contudo a sua origem é uma incógnita e talvez continue a sê-lo, o certo é que Forte, continua a ser o nome do lugar onde ele terá existido há bastantes séculos atrás, talvez mesmo desde tempos medievais.
Em 1798 e segundo o Censo de Pina Manique o Soito tinha 243 fogos.
A crer na evolução populacional do Soito, segundo os dados até agora obtidos, deve estar errada a informação do Padre Carvalho, ou houve erro de impressão no Dicionário Corográfico onde Américo Costa atribui ao Soito em 1708 apenas 36 fogos, pois como é possível em meio século diminuir mais de 100 fogos para passado outro meio, ter um crescimento de 190?
Sei, que entre 1692 e 1700, 9 anos portanto, foram feitos no Soito cerca de 400 baptizados, o que vem reforçar ainda mais a tese do erro histórico atrás referido. Pois 400 baptizados em 9 anos, e tendo em conta que um casal tinha um filho, em média, de dois em dois anos, isso equivale a dizer que havia cerca de 100 casais em idade reprodutiva, mais os jovens, crianças e idosos.
Outro facto importante que me faz descrer desse tal conceito de lugarejo é a prova de que em 1695 o Soito já tinha a sua Misericórdia conforme registo de óbito de 14 de Fevereiro desse ano, feito pelo padre António Ramos de Azevedo e onde escreve “foi sepultado na Capela da Santa Misericórdia, por assim o deixar em testamento.”
Ainda a propósito da menoridade atribuída ao Soito, digo que se em 1758 já tinha oito capelas, uma Irmandade da Misericórdia, cuja capela tinha um rendimento de 20.000 reis, um hospital, administrado pelo Provedor de Castelo Branco, mas que era pertença da Misericórdia, como poderia ter sido um pequeno povoado, alguns anos antes?
Em 1822 o Soito contava 230 fogos, o Sabugal contava 219.
Em 1862 havia 335 fogos com 1.400 moradores
Em 1900 401 fogos e 1.508 moradores
Em 1930 526 fogos e 2.003 moradores
Segundo o VIII Recenseamento, em 1940 o Soito atingiu o mais alto patamar da sua história com 616 fogos e 2.439 habitantes, dos quais 438 viviam em Santo Amaro, 731 sabiam ler, havia 98 viúvas e 22 viúvos, 3 pessoas não tinham religião, 4 não praticavam alguma e já então havia um casal separado judicialmente.
O X Recenseamento de 1960 e publicado em 1963 conta no Soito apenas 2.376 moradores, perdendo portanto 63 pessoas em vinte anos, porém, como nesse espaço de tempo foram feitos 1.975 baptizados e houve apenas 1.001 óbitos, teremos que contabilizar uma perda de 1.037 pessoas, que certamente haviam emigrado.
Informa ainda este recenseamento, que em 1960 havia no Soito 139 pessoas sem religião, 102 viúvas e 38 viúvos.
A nível concelhio o Sabugal desceu de 41.909 em 1940 para 38.062 o que dá um saldo negativo de 3.847 habitantes.
Os dados recolhidos em 1981 através do XII Recenseamento contam no Soito 1.433 habitantes, em 1991 1.392 e em 2001 apenas 1.330.
Sabendo que o Soito tinha em 1862 1.400 moradores e que desde então até ao ano 2000 houve 8.995 baptismos e apenas 6.532 óbitos, teremos um saldo positivo de 2.463 pessoas, que juntando às 1.400 somaria 3.863 o que quer dizer que por cada Soitense residente há dois emigrados.
O Soito, dependente da Nave?
Há quem erradamente admita, que o Soito foi uma anexa da Nave, a verdade, é que o Cura do Soito, como aliás os de Vale de Espinho, Foios, Lageosa, Vila Boa, Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas, prestavam contas anualmente ao Vigário da Nave, seu superior hierárquico, o qual assinava a abertura e o fecho dos livros de registos, onde constavam os baptismos e os óbitos.
O pároco da Nave seria como que o colector de impostos, o representante do Bispo, aquele que recolhia as taxas, ou as rendas, como queiramos chamar-lhe.
Os documentos referentes ao Soito não esclarecem qual o valor da renda, que lhe estava imposta, mas por exemplo Ruivós pagava 68 alqueires de centeio, outros tantos de trigo e seiscentos reis, Vila Boa pagava 40.000 reis, Foios pagava 120 alqueires de centeio e 6.000 reis em dinheiro, Vale de Espinho 50 alqueires de trigo, 50 de centeio e 3.000 reis.
Os livros de registo, existentes, quer no arquivo paroquial, quer no Arquivo Distrital da Guarda, foram assinados, para além do Padre da Nave, ainda pelos Padres de Rendo, Alfaiates, Aldeia da Ponte, Ruvina e por último, o actual Padre Souta do Sabugal, todos eles seriam possivelmente superiores ao do Soito o que não quer dizer que esta freguesia lhes tenha pertencido.
Alguém me disse, ainda não há muito, que os mortos do Soito teriam sido, em tempos, sepultados no cemitério da Nave. Posso dizer que desde pelo menos 1615 data de que há registos, isso não acontece, as sepulturas eram feitas na Igreja Matriz do Soito, na Capela da Misericórdia, na de Santa Barbara, na do Espírito Santo e na de Santo Amaro, embora nestas duas últimas fossem em número bastante inferior ao das outras.
Os cemitérios são relativamente recentes, foram criados por dois decretos de 1835, embora Pina Manique, meio século antes houvesse lutado pela sua construção.
O primeiro funeral feito no cemitério do Soito, data de 5 de Fevereiro de 1838. Na capela da Misericórdia já eram feitos desde pelo menos, 14 de Fevereiro de 1695, o que não quer dizer que os não houvera anteriores, pois há um vazio documental de alguns anos antecedentes que no impossibilitam de saber mais.
Nessa época e até à elevação da nossa terra a Vila, o Soito era a única aldeia do distrito, que nunca foi vila ou sede de concelho, a ter instituída uma Irmandade da Misericórdia, o que era já uma prova, da sua importância como povo.
Há um outro pequeno trecho de história, em Memórias sobre o concelho do Sabugal onde se diz acerca do Soito: “A população é rica, porque é trabalhadora e tem muito onde trabalhar, nos seus pequenos limites”. Ora o Soito com mais de 30 Quilómetros quadrados de superfície, é a nona maior freguesia do concelho atrás do Casteleiro, Sortelha, Quadrazais, Vale de Espinho, Bendada, Aldeia da Ponte, Sabugal e Aldeia de Santo António, esta tem apenas mais alguns hectares que o Soito.
Os limites do Soito, são maiores que os de Aldeia do Bispo e Lageosa juntos.
É ainda interessante saber que em princípios do século XVIII, o Santo que atraía mais romeiros ao Soito, principalmente “tolhidos e aleijados” segundo as palavras do Cura de então, era Santo Amaro a 15 de Janeiro, pois que todos acreditavam ser imagem muito milagrosa e onde, segundo informação do mesmo Padre, se encontraram mais de duzentas muletas de pau que os aleijados ali deixavam depois de se verem curados.
Outra festa que se realizou durante alguns séculos foi a de Santa Isabel no primeiro domingo de Julho.
A cargo da Irmandade da Misericórdia, esta festa teve o seu fim por volta de 1940, de salientar que na tarde desse mesmo dia e todos os anos se procedia à eleição dos mesários que haviam de dirigir a Misericórdia no período seguinte.
Há ainda outro ponto que importa esclarecer; algumas pessoas, mal intencionadas de certo, terão dito que os primeiros habitantes do Soito eram ciganos ou foragidos à justiça; Ora, a verdade histórica é esta; No livro Castelos da Raia da Beira, consta um mapa de Baquero Moreno onde Alfaiates, Vilar Maior, Sabugal, Penamacor e a própria Guarda eram Coutos de homiziados o que quer dizer; que, ou aqueles que andam fugidos à justiça, logo, nenhum povo da região se pode gloriar do seu passado fazendo criticas ao passado dos outros.
O Soito não tem casas senhoriais, brasões ou castelos, teve e tem a gente trabalhadora, que embora humilde, tem um valor que ninguém lhe pode arrebatar; é a força e a vontade de trabalhar, ao contrário de outros que feitos parasitas, aqui vinham recolher, talvez pela força, a maioria dos produtos colhidos a cada ano, como era o caso daquele que foi donatário do Soito o Conde de Óbidos, mas também o Conde de Resende e os Alcaides do Sabugal que tinham aqui extensas propriedades.
Faz hoje cinco anos que o Soito foi promovido a vila, não me vou pronunciar sobre as questões que envolveram todo o processo, apenas quero afirmar, que esse facto, só trará vantagens, na medida, em que nós formos capazes de elaborar, projectar e candidatar aos fundos governamentais, as obras que entendamos prioritárias.
Também, só forçado a dizer, que a Assembleia da Republica ao promover o Soito, assumiu a responsabilidade que advém de qualquer promoção, o que tem sido esquecido, embora saibamos que ninguém virá de bandeja, oferecer o que quer que seja, só pelo facto de sermos vila, temos que fazer valer os nossos direitos, através de iniciativas e dialogo, com as entidades que têm o poder de decisão, sem sermos subservientes é certo, mas nunca de forma arrogante.
Para além da Junta de Freguesia, temos várias Associações de Desenvolvimento que certamente têm por meta o bem da nossa terra, mas a descoordenação, existente entre elas e o andar de costas voltadas só prejudica o Soito no seu todo.
A simpatia partidária de cada um, nunca se deve sobrepor ao bem comum de um povo, pois só colaborando uns com os outros em unidade, poderemos ter a força reivindicativa que nos permita alcançar os objectivos a que pensamos ter direito.
E mais não digo por hoje. Viva o Soito
Maio de 2004
A verdade é que embora pouco, sei mais da história do Soito, do que da minha própria terra.
Também sei, que numa terra como o Soito, que tem centenas de licenciados, dezenas de mestres e alguns doutores, não seria eu, que, do ponto de vista estatístico faço parte do número de ignorantes deste país, a pessoa mais indicada, para dizer algumas palavras acerca do passado desta terra, no entanto, e porque me foi sugerido pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia, não quis deixar de prestar o meu humilde contributo, esperando que ele sirva para esclarecer algumas imprecisões históricas.
O passado do Soito começou a interessar-me desde há cerca de dez anos: havia fragmentos da sua história, totalmente contraditórios com outros e que me custavam a aceitar, daí ter começado esta busca, quase por brincadeira.
Não sou historiador, sou amigo de saber, e é essa vontade de saber que me tem levado até aos arquivos e a outras fontes de informação, sabendo que a história nunca está completa, há sempre novos dados a acrescentar e erros a corrigir enquanto houver quem queira ir mais além, à busca dum passado que existe, embora nos pareça obscuro.
Sei, que em parte de muitos Soitenses, há um sentimento de menoridade histórica e territorial, que teria sido erradamente transmitido, por quem não aprofundou a investigação do passado desta terra.
As datas, os números e os factos que vos passo a transmitir, são credíveis, têm bases documentais que tenho em meu poder, e delas posso ceder cópias a quem estiver interessado.
Sabe-se que a região de Riba Côa, só passou para a soberania portuguesa em 1297 através do Tratado de Alcanizes, mas também é certo que no domínio espiritual continuou a ser dependente do Bispado de Cidade Rodrigo até 1403, altura em que o Bispo de Lamego, D. João de Vicente, conseguiu a desanexação, confirmada por bula do Papa Bonifácio IX e datada de 5 de Julho.
Em 1321, vão passados quase 700 anos, já o Soito constava na lista das Igrejas do termo do Sabugal e em 3 de Junho de 1359, os juízes exactores, reunidos na cidade da Guarda começaram a impor taxas às Igrejas que estavam em território português e pertencentes ao dito bispado, sendo então a Igreja de Santa Maria do Soito taxada em 10 libras.
A propósito, quero esclarecer, que a primitiva paróquia de Santa Maria do Souto só mais tarde passaria a ter por padroeira Nossa Senhora da Conceição, já que o culto à Imaculada começou a consolidar-se no século XVII, especialmente depois de D. João IV a ter proclamado padroeira “dos nossos reinos e senhorios” no dizer dele, em 25 de Março de 1646 o que seria confirmado pelo Papa Clemente X em 8 de Maio de 1671.
Por essa época, muitas outras paróquias que se intitulavam de Santa Maria, tomaram por padroeira Nossa Senhora da Conceição.
Em 1511, o Sabugal tinha três paróquias; São João que tinha a Nave e outras como anexas, São Miguel à qual estava unida a do Soito, apesar de ser “Câmara do Bispo tendo como Abade Gonçalo Martins”, e ainda Santa Maria.
Dezasseis anos mais tarde, em 1527, e segundo o Cadastro da População do Reino, o então concelho do Sabugal tinha apenas 1027 moradores sendo o Soito o principal lugar com 160, Quadrazais 134, a Nave 98, Vale de Espinho 58, os Foios 7 e havia outros povos ou quintas que não interessa agora referir.
De salientar que segundo este Cadastro e na região, apenas o Sabugal com 213 moradores, dentro dos muros e no arrabalde, ou Almeida com 264 ultrapassavam o numero dos moradores do Soito.
Segundo uma estimativa da população portuguesa em 1640, da autoria do professor Joaquim Veríssimo Serrão publicada em 1975 e baseada nas memórias da Academia das Ciências, o Soito consta num mapa ao lado de Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Vilar Maior, e Numão para só referir as terras mais próximas, cada uma com um número de vizinhos entre os 100 e os 200 o que significa entre 400 a 800 moradores.
Poucos anos depois, era governador de Alfaiates o poeta e guerreiro Brás Garcia de Mascarenhas, e o Soito nessa época também esteve envolvido nas disputas fronteiriças; foi por essa altura que reuniram, aqui no Soito, D. Sancho Manuel e D. Rodrigo de Castro com as suas tropas e daqui partiram para Alcântara com 400 cavalos e 250 soldados, não sendo de excluir a hipótese de alguns deles serem Soitenses, fortes e destemidos como sempre foram.
As hostilidades entre Portugueses e Espanhóis continuaram, no reinado de D. Pedro II, foi nesse tempo que sobressaiu, devido às suas heróicas façanhas, um tal Tolda, capitão de cavalaria, que foi considerado o Nun’Álvares do castelo de Alfaiates, a ele se refere o Padre Hipólito em 1758 escrevendo; “ ainda se conserva nesta freguesia, a trombeta da sua Companhia com grande estimação” Pena é que tivesse desaparecido.
Também o reytor António Carvalho Baptista em memórias paroquiais de Alfaiates diz acerca do “Capitão Tolda”: temido raio de Marte que fez grandes feitos!
Escreveu ainda o Padre Hipólito, que paroquiou o Soito entre 1745 e 1786, em Memória Paroquial datada de 29 de Maio de 1758 a pedido do Marquês do Pombal e inserida no Dicionário Geográfico, que o Soito tinha 226 vizinhos, com setecentas e vinte pessoas maiores e menores, ainda segundo este pároco o Soito já tinha para além da Igreja mais oito capelas: Dentro da freguesia São Modesto.
Fora da freguesia; São Brás, Espírito Santo, Santa Bárbara, Santo António, São João, Nossa Senhora dos Prazeres, Santo Amaro e a capela da Misericórdia.
Respondendo à questão 25 o Padre responde; “acha-se nesta terra um forte muito antigo, mas no presente está todo demolido”
Em meu entender de leigo, penso que este forte, teria sido destruído entre 1640 e 1660, aquando das investidas castelhanas, que pilharam e incendiaram várias povoações, contudo a sua origem é uma incógnita e talvez continue a sê-lo, o certo é que Forte, continua a ser o nome do lugar onde ele terá existido há bastantes séculos atrás, talvez mesmo desde tempos medievais.
Em 1798 e segundo o Censo de Pina Manique o Soito tinha 243 fogos.
A crer na evolução populacional do Soito, segundo os dados até agora obtidos, deve estar errada a informação do Padre Carvalho, ou houve erro de impressão no Dicionário Corográfico onde Américo Costa atribui ao Soito em 1708 apenas 36 fogos, pois como é possível em meio século diminuir mais de 100 fogos para passado outro meio, ter um crescimento de 190?
Sei, que entre 1692 e 1700, 9 anos portanto, foram feitos no Soito cerca de 400 baptizados, o que vem reforçar ainda mais a tese do erro histórico atrás referido. Pois 400 baptizados em 9 anos, e tendo em conta que um casal tinha um filho, em média, de dois em dois anos, isso equivale a dizer que havia cerca de 100 casais em idade reprodutiva, mais os jovens, crianças e idosos.
Outro facto importante que me faz descrer desse tal conceito de lugarejo é a prova de que em 1695 o Soito já tinha a sua Misericórdia conforme registo de óbito de 14 de Fevereiro desse ano, feito pelo padre António Ramos de Azevedo e onde escreve “foi sepultado na Capela da Santa Misericórdia, por assim o deixar em testamento.”
Ainda a propósito da menoridade atribuída ao Soito, digo que se em 1758 já tinha oito capelas, uma Irmandade da Misericórdia, cuja capela tinha um rendimento de 20.000 reis, um hospital, administrado pelo Provedor de Castelo Branco, mas que era pertença da Misericórdia, como poderia ter sido um pequeno povoado, alguns anos antes?
Em 1822 o Soito contava 230 fogos, o Sabugal contava 219.
Em 1862 havia 335 fogos com 1.400 moradores
Em 1900 401 fogos e 1.508 moradores
Em 1930 526 fogos e 2.003 moradores
Segundo o VIII Recenseamento, em 1940 o Soito atingiu o mais alto patamar da sua história com 616 fogos e 2.439 habitantes, dos quais 438 viviam em Santo Amaro, 731 sabiam ler, havia 98 viúvas e 22 viúvos, 3 pessoas não tinham religião, 4 não praticavam alguma e já então havia um casal separado judicialmente.
O X Recenseamento de 1960 e publicado em 1963 conta no Soito apenas 2.376 moradores, perdendo portanto 63 pessoas em vinte anos, porém, como nesse espaço de tempo foram feitos 1.975 baptizados e houve apenas 1.001 óbitos, teremos que contabilizar uma perda de 1.037 pessoas, que certamente haviam emigrado.
Informa ainda este recenseamento, que em 1960 havia no Soito 139 pessoas sem religião, 102 viúvas e 38 viúvos.
A nível concelhio o Sabugal desceu de 41.909 em 1940 para 38.062 o que dá um saldo negativo de 3.847 habitantes.
Os dados recolhidos em 1981 através do XII Recenseamento contam no Soito 1.433 habitantes, em 1991 1.392 e em 2001 apenas 1.330.
Sabendo que o Soito tinha em 1862 1.400 moradores e que desde então até ao ano 2000 houve 8.995 baptismos e apenas 6.532 óbitos, teremos um saldo positivo de 2.463 pessoas, que juntando às 1.400 somaria 3.863 o que quer dizer que por cada Soitense residente há dois emigrados.
O Soito, dependente da Nave?
Há quem erradamente admita, que o Soito foi uma anexa da Nave, a verdade, é que o Cura do Soito, como aliás os de Vale de Espinho, Foios, Lageosa, Vila Boa, Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas, prestavam contas anualmente ao Vigário da Nave, seu superior hierárquico, o qual assinava a abertura e o fecho dos livros de registos, onde constavam os baptismos e os óbitos.
O pároco da Nave seria como que o colector de impostos, o representante do Bispo, aquele que recolhia as taxas, ou as rendas, como queiramos chamar-lhe.
Os documentos referentes ao Soito não esclarecem qual o valor da renda, que lhe estava imposta, mas por exemplo Ruivós pagava 68 alqueires de centeio, outros tantos de trigo e seiscentos reis, Vila Boa pagava 40.000 reis, Foios pagava 120 alqueires de centeio e 6.000 reis em dinheiro, Vale de Espinho 50 alqueires de trigo, 50 de centeio e 3.000 reis.
Os livros de registo, existentes, quer no arquivo paroquial, quer no Arquivo Distrital da Guarda, foram assinados, para além do Padre da Nave, ainda pelos Padres de Rendo, Alfaiates, Aldeia da Ponte, Ruvina e por último, o actual Padre Souta do Sabugal, todos eles seriam possivelmente superiores ao do Soito o que não quer dizer que esta freguesia lhes tenha pertencido.
Alguém me disse, ainda não há muito, que os mortos do Soito teriam sido, em tempos, sepultados no cemitério da Nave. Posso dizer que desde pelo menos 1615 data de que há registos, isso não acontece, as sepulturas eram feitas na Igreja Matriz do Soito, na Capela da Misericórdia, na de Santa Barbara, na do Espírito Santo e na de Santo Amaro, embora nestas duas últimas fossem em número bastante inferior ao das outras.
Os cemitérios são relativamente recentes, foram criados por dois decretos de 1835, embora Pina Manique, meio século antes houvesse lutado pela sua construção.
O primeiro funeral feito no cemitério do Soito, data de 5 de Fevereiro de 1838. Na capela da Misericórdia já eram feitos desde pelo menos, 14 de Fevereiro de 1695, o que não quer dizer que os não houvera anteriores, pois há um vazio documental de alguns anos antecedentes que no impossibilitam de saber mais.
Nessa época e até à elevação da nossa terra a Vila, o Soito era a única aldeia do distrito, que nunca foi vila ou sede de concelho, a ter instituída uma Irmandade da Misericórdia, o que era já uma prova, da sua importância como povo.
Há um outro pequeno trecho de história, em Memórias sobre o concelho do Sabugal onde se diz acerca do Soito: “A população é rica, porque é trabalhadora e tem muito onde trabalhar, nos seus pequenos limites”. Ora o Soito com mais de 30 Quilómetros quadrados de superfície, é a nona maior freguesia do concelho atrás do Casteleiro, Sortelha, Quadrazais, Vale de Espinho, Bendada, Aldeia da Ponte, Sabugal e Aldeia de Santo António, esta tem apenas mais alguns hectares que o Soito.
Os limites do Soito, são maiores que os de Aldeia do Bispo e Lageosa juntos.
É ainda interessante saber que em princípios do século XVIII, o Santo que atraía mais romeiros ao Soito, principalmente “tolhidos e aleijados” segundo as palavras do Cura de então, era Santo Amaro a 15 de Janeiro, pois que todos acreditavam ser imagem muito milagrosa e onde, segundo informação do mesmo Padre, se encontraram mais de duzentas muletas de pau que os aleijados ali deixavam depois de se verem curados.
Outra festa que se realizou durante alguns séculos foi a de Santa Isabel no primeiro domingo de Julho.
A cargo da Irmandade da Misericórdia, esta festa teve o seu fim por volta de 1940, de salientar que na tarde desse mesmo dia e todos os anos se procedia à eleição dos mesários que haviam de dirigir a Misericórdia no período seguinte.
Há ainda outro ponto que importa esclarecer; algumas pessoas, mal intencionadas de certo, terão dito que os primeiros habitantes do Soito eram ciganos ou foragidos à justiça; Ora, a verdade histórica é esta; No livro Castelos da Raia da Beira, consta um mapa de Baquero Moreno onde Alfaiates, Vilar Maior, Sabugal, Penamacor e a própria Guarda eram Coutos de homiziados o que quer dizer; que, ou aqueles que andam fugidos à justiça, logo, nenhum povo da região se pode gloriar do seu passado fazendo criticas ao passado dos outros.
O Soito não tem casas senhoriais, brasões ou castelos, teve e tem a gente trabalhadora, que embora humilde, tem um valor que ninguém lhe pode arrebatar; é a força e a vontade de trabalhar, ao contrário de outros que feitos parasitas, aqui vinham recolher, talvez pela força, a maioria dos produtos colhidos a cada ano, como era o caso daquele que foi donatário do Soito o Conde de Óbidos, mas também o Conde de Resende e os Alcaides do Sabugal que tinham aqui extensas propriedades.
Faz hoje cinco anos que o Soito foi promovido a vila, não me vou pronunciar sobre as questões que envolveram todo o processo, apenas quero afirmar, que esse facto, só trará vantagens, na medida, em que nós formos capazes de elaborar, projectar e candidatar aos fundos governamentais, as obras que entendamos prioritárias.
Também, só forçado a dizer, que a Assembleia da Republica ao promover o Soito, assumiu a responsabilidade que advém de qualquer promoção, o que tem sido esquecido, embora saibamos que ninguém virá de bandeja, oferecer o que quer que seja, só pelo facto de sermos vila, temos que fazer valer os nossos direitos, através de iniciativas e dialogo, com as entidades que têm o poder de decisão, sem sermos subservientes é certo, mas nunca de forma arrogante.
Para além da Junta de Freguesia, temos várias Associações de Desenvolvimento que certamente têm por meta o bem da nossa terra, mas a descoordenação, existente entre elas e o andar de costas voltadas só prejudica o Soito no seu todo.
A simpatia partidária de cada um, nunca se deve sobrepor ao bem comum de um povo, pois só colaborando uns com os outros em unidade, poderemos ter a força reivindicativa que nos permita alcançar os objectivos a que pensamos ter direito.
E mais não digo por hoje. Viva o Soito
Maio de 2004
terça-feira, 16 de março de 2010
O Contrabando
O contrabando é um tema polemico, sempre difícil de abordar, quer pela carga negativa que motiva em parte da sociedade, quer pelas recordações que faz reviver em muitos dos que a ele dedicaram parte da sua vida.
Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre o assunto, a verdade é que o contrabando foi para o Soito, e para muitas aldeias da região, um motor de desenvolvimento em épocas de mingua e carências e que grande numero dos Soitenses, directa ou indirectamente, a ele estiveram ligados, e dele colhiam benefícios, difíceis ou mesmo impossíveis de obter de outro modo.
Durante a Guerra Civil de Espanha, na segunda guerra mundial e nos anos que se seguiram, esta actividade conheceu um volume até então nunca visto, devido á grande procura no mercado internacional de minérios de ferro de que o nosso País era produtor, assim, por aqui passavam milhares de toneladas, que eram transportadas pelo homem aos ombros, até ao País vizinho, num percurso de dezenas de quilómetros e por veredas quase intransitáveis. Foi uma época desgastante para as gentes desta aldeia, devido ao sacrifício quase sobre humano a que se sujeitavam, principalmente os homens e os rapazes, que transportavam o carrego sob o rigor das intempéries.
Ainda hoje são visíveis, um pouco por toda a zona dita de rota do contrabando, dezenas de minas que só o eram de nome, onde o minério era descarregado, como se ali fosse extraído, para despistar as autoridades que o perseguiam
Tendo decaído ou mesmo desaparecido a procura do minério, outros produtos se tornaram apetecíveis para o contrabando: tecidos, calçado, maquinas, café, tabaco, etc., que continuou a ser feito a pé até aos fins da década de sessenta, altura em que os cavalos, por mais rápidos, logo mais lucrativos, tomaram o lugar dos homens, embora cada cavalo fosse normalmente conduzido por um cavaleiro, á excepção das noites de nevoeiro que acontecia o contrario, era o cavalo que conduzia o cavaleiro.
De salientar que havia muito proprietários de cavalos que não arriscavam a sua vida, mas que tinham, o que se pode dizer de criados, para ir com o cavalo e a quem era paga a parte
correspondente.
Para além deste tipo de contrabando por grosso, havia o pequeno contrabando domestico,
em que a maioria dos artigos consumiveis ou de decoração eram trazidos de Espanha.
O azeite, laranjas, louças, perfumes e a maioria do vestuário usado nesta aldeia era de proveniência Castelhana e as noivas ali iam buscar quase todo o seu enxoval, que muitas vezes deixavam no caminho, apreendido pelas mãos da Guarda Civil ( Carabineiros) ou da Guarda Fiscal.
Tecnicamente, contrabando quer dizer introduzir mercadoria sem pagar direitos, contudo épocas houve, em que ele era mesmo incentivado pelas autoridades a nível particular, foi o caso do café, em que as nossas autoridades fechavam os olhos ao café que ia para o lado de lá, ou das autoridades espanholas, que igualmente fechavam mais os olhos ao que saía do seu país, do que ao que nele entrava.
Homens sem medo, corajosos e aventureiros eram os do Soito, que nas décadas de sessenta e setenta, se dedicavam ao contrabando quase diariamente, num desafio continuo á injusta e desumana lei, arriscando a vida para sustento próprio e dos seus, já que outras fontes de rendimento escasseavam.
Se o Soito ganhou algo com o contrabando, também pagou caro o preço pelo arrojo e aventura, pois nele deixou alguns mártires: uns que caíram e derramaram o seu sangue nas veredas do contrabando, vitimas da força bruta das balas do poder, lembro João Marques Lavrador e José Russo de Carvalho que na idade dos sonhos e no vigor da vida, foram assassinados á entrada norte dos Foios, em doze de Setembro de 1960 e ainda outros dois jovens na flor da vida Manuel Joaquim Nunes Fernandes e Hermenegildo Robalo Carrilho, estes arrastados pela fúria das águas do Côa quando tentavam atravessar o rio em seus cavalos, acabando por nele morrer afogados, em trinta de Dezembro de 1962
Já decorreram quase quatro décadas sobre estas fatídicas datas, mas os acontecimentos continuam vivos na memória das nossas gentes.
Já depois do vinte cinco de Abril foi assassinado pela GF e ás portas do Soito, um cidadão Espanhol conhecido como Juan, juntamente com vários cavalos, este macabro acontecimento deu aso ao declínio senão mesmo á morte do contrabando a cavalo.
A esse propósito não posso deixar de me sentir hoje indignado, ao ver que a lei e a justiça actuais, são mais brandas para os criminosos de hoje, do que eram então para quem, á falta de outro meio de sustento, se dedicava ao contrabando, era, em suma, mais criminoso há trinta anos um contrabandista, do que hoje é um larapio, um vigarista, ou um pedófilo, por isso eles enxameiam a Terra e passeiam-se na nossa sociedade impunemente.
Durante cerca de duas décadas em que os cavalos foram o transporte mais usado para o intercâmbio de mercadorias entre esta aldeia e outras terras da raia castelhana, dezenas deles foram abatidos pelas forças da autoridade, na escuridão da noite e sorte a dos cavaleiros que os montavam não terem igual destino.
De referir que nas longas e algentes noites de Inverno, calcando a neve ou o gelo, não era raro, após horas e horas a cavalgar sob um frio intenso, haver quem ao chegar ao povo, á porta de casa, se sentisse de tal modo enregelado que era incapaz de desmontar do cavalo sem que fosse ajudado por algum amigo ou familiar e ser necessário aquece-lo com um acolhedor lume, um quente cobertor e uma bebida revigorante.
Na década de setenta, talvez aquela em que esta actividade conheceu maior desenvolvimento, tanto cavalos como cavaleiros não tinham descanso, e embora fosse habitual levarem só mercadoria para o exterior, não era raro aproveitarem o retorno com qualquer outro tipo de artigos que oferecessem lucro e tivessem procura.
As veredas que durante décadas ou mesmo séculos, foram testemunhas de tanto sacrifício, medo, mas também coragem e aventura por parte de milhares de Soitenses estão agora tomadas pela vegetação bravia que as camuflou como se nunca tivessem existido, no entanto elas são um marco inesquecível que deve ser perpetuado na historia do Soito.
O Soito foi uma terra de cavalos e em 1968 contei a passar á minha porta mais de cem desses animais carregados de tabaco destinado a nuestros hermanos que tanto o apreciavam
Hoje, com o desaparecimento do contrabando desapareceram também quase todos estes belos, elegantes e dóceis animais, mas não podem ser dissociados da historia, porque ela lhe foi comum.
Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre o assunto, a verdade é que o contrabando foi para o Soito, e para muitas aldeias da região, um motor de desenvolvimento em épocas de mingua e carências e que grande numero dos Soitenses, directa ou indirectamente, a ele estiveram ligados, e dele colhiam benefícios, difíceis ou mesmo impossíveis de obter de outro modo.
Durante a Guerra Civil de Espanha, na segunda guerra mundial e nos anos que se seguiram, esta actividade conheceu um volume até então nunca visto, devido á grande procura no mercado internacional de minérios de ferro de que o nosso País era produtor, assim, por aqui passavam milhares de toneladas, que eram transportadas pelo homem aos ombros, até ao País vizinho, num percurso de dezenas de quilómetros e por veredas quase intransitáveis. Foi uma época desgastante para as gentes desta aldeia, devido ao sacrifício quase sobre humano a que se sujeitavam, principalmente os homens e os rapazes, que transportavam o carrego sob o rigor das intempéries.
Ainda hoje são visíveis, um pouco por toda a zona dita de rota do contrabando, dezenas de minas que só o eram de nome, onde o minério era descarregado, como se ali fosse extraído, para despistar as autoridades que o perseguiam
Tendo decaído ou mesmo desaparecido a procura do minério, outros produtos se tornaram apetecíveis para o contrabando: tecidos, calçado, maquinas, café, tabaco, etc., que continuou a ser feito a pé até aos fins da década de sessenta, altura em que os cavalos, por mais rápidos, logo mais lucrativos, tomaram o lugar dos homens, embora cada cavalo fosse normalmente conduzido por um cavaleiro, á excepção das noites de nevoeiro que acontecia o contrario, era o cavalo que conduzia o cavaleiro.
De salientar que havia muito proprietários de cavalos que não arriscavam a sua vida, mas que tinham, o que se pode dizer de criados, para ir com o cavalo e a quem era paga a parte
correspondente.
Para além deste tipo de contrabando por grosso, havia o pequeno contrabando domestico,
em que a maioria dos artigos consumiveis ou de decoração eram trazidos de Espanha.
O azeite, laranjas, louças, perfumes e a maioria do vestuário usado nesta aldeia era de proveniência Castelhana e as noivas ali iam buscar quase todo o seu enxoval, que muitas vezes deixavam no caminho, apreendido pelas mãos da Guarda Civil ( Carabineiros) ou da Guarda Fiscal.
Tecnicamente, contrabando quer dizer introduzir mercadoria sem pagar direitos, contudo épocas houve, em que ele era mesmo incentivado pelas autoridades a nível particular, foi o caso do café, em que as nossas autoridades fechavam os olhos ao café que ia para o lado de lá, ou das autoridades espanholas, que igualmente fechavam mais os olhos ao que saía do seu país, do que ao que nele entrava.
Homens sem medo, corajosos e aventureiros eram os do Soito, que nas décadas de sessenta e setenta, se dedicavam ao contrabando quase diariamente, num desafio continuo á injusta e desumana lei, arriscando a vida para sustento próprio e dos seus, já que outras fontes de rendimento escasseavam.
Se o Soito ganhou algo com o contrabando, também pagou caro o preço pelo arrojo e aventura, pois nele deixou alguns mártires: uns que caíram e derramaram o seu sangue nas veredas do contrabando, vitimas da força bruta das balas do poder, lembro João Marques Lavrador e José Russo de Carvalho que na idade dos sonhos e no vigor da vida, foram assassinados á entrada norte dos Foios, em doze de Setembro de 1960 e ainda outros dois jovens na flor da vida Manuel Joaquim Nunes Fernandes e Hermenegildo Robalo Carrilho, estes arrastados pela fúria das águas do Côa quando tentavam atravessar o rio em seus cavalos, acabando por nele morrer afogados, em trinta de Dezembro de 1962
Já decorreram quase quatro décadas sobre estas fatídicas datas, mas os acontecimentos continuam vivos na memória das nossas gentes.
Já depois do vinte cinco de Abril foi assassinado pela GF e ás portas do Soito, um cidadão Espanhol conhecido como Juan, juntamente com vários cavalos, este macabro acontecimento deu aso ao declínio senão mesmo á morte do contrabando a cavalo.
A esse propósito não posso deixar de me sentir hoje indignado, ao ver que a lei e a justiça actuais, são mais brandas para os criminosos de hoje, do que eram então para quem, á falta de outro meio de sustento, se dedicava ao contrabando, era, em suma, mais criminoso há trinta anos um contrabandista, do que hoje é um larapio, um vigarista, ou um pedófilo, por isso eles enxameiam a Terra e passeiam-se na nossa sociedade impunemente.
Durante cerca de duas décadas em que os cavalos foram o transporte mais usado para o intercâmbio de mercadorias entre esta aldeia e outras terras da raia castelhana, dezenas deles foram abatidos pelas forças da autoridade, na escuridão da noite e sorte a dos cavaleiros que os montavam não terem igual destino.
De referir que nas longas e algentes noites de Inverno, calcando a neve ou o gelo, não era raro, após horas e horas a cavalgar sob um frio intenso, haver quem ao chegar ao povo, á porta de casa, se sentisse de tal modo enregelado que era incapaz de desmontar do cavalo sem que fosse ajudado por algum amigo ou familiar e ser necessário aquece-lo com um acolhedor lume, um quente cobertor e uma bebida revigorante.
Na década de setenta, talvez aquela em que esta actividade conheceu maior desenvolvimento, tanto cavalos como cavaleiros não tinham descanso, e embora fosse habitual levarem só mercadoria para o exterior, não era raro aproveitarem o retorno com qualquer outro tipo de artigos que oferecessem lucro e tivessem procura.
As veredas que durante décadas ou mesmo séculos, foram testemunhas de tanto sacrifício, medo, mas também coragem e aventura por parte de milhares de Soitenses estão agora tomadas pela vegetação bravia que as camuflou como se nunca tivessem existido, no entanto elas são um marco inesquecível que deve ser perpetuado na historia do Soito.
O Soito foi uma terra de cavalos e em 1968 contei a passar á minha porta mais de cem desses animais carregados de tabaco destinado a nuestros hermanos que tanto o apreciavam
Hoje, com o desaparecimento do contrabando desapareceram também quase todos estes belos, elegantes e dóceis animais, mas não podem ser dissociados da historia, porque ela lhe foi comum.
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